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Prefeitura Municipal de Tibagi

Os clubes já foram o cenário do Carnaval tibagiano

 Os clubes já foram o cenário do Carnaval tibagiano
ACONTECEU!
Os clubes já foram o cenário do Carnaval tibagiano



O retrato do surgimento da primeira escola de samba, em 1928, no Rio de Janeiro, a 'Deixa Falar', à criação dos blocos de rua em Tibagi. Nesta terceira edição da coluna Aconteceu!, o Museu Histórico Desembargador Edmundo Mercer Junior juntamente com a Assessoria de Comunicação da Prefeitura, através da coluna de fatos históricos, traz parte desta história tão presente em nosso país e enraizada na cultura tibagiana.




Um dos aspectos mais interessantes é que o Carnaval, a partir da década de 1950, foi motivo de integração entre grupos de pessoas que àquela época ainda se tentava distinguir na cidade. Negros e brancos frequentavam clubes separados, mas na terça-feira de folia trocavam visitas e iniciavam novos costumes.

Conforme Nery Aparecido Assunção, coordenador do Museu, foi a partir de 1930 que as escolas passaram a desfilar pelo centro do Rio. “Da Avenida Rio Branco, a festa passou para o sambódromo da Marquês de Sapucaí, projetado por Oscar Niemeyer”, relata. Em Tibagi, segundo Nery, o palco era a Praça 15 de Novembro, onde desfilavam os primeiros carros ornamentados.

Ao bangalô do Cadete, como já apresentado na coluna da semana anterior, foram se agregando grupos de amigos que se reuniam para promover gritos de Carnaval. “Dessa reunião surgiu mais tarde a Sociedade Clube Estrela da Manhã, composta essencialmente por pessoas negras”, indica.

Clube Tibagiano

Já na antiga Sede do Clube Tibagiano, tiveram início na década de 50 os gritos de Carnaval e matinês para as crianças, com animadas marchinhas executadas pelos músicos da Banda de Tibagi. A Banda era liderada por José da Cruz Machado Junior, o 'Nenê Machado', que ao lado do músico Osmar organizou também as serestas carnavalescas.



Clube Estrela da Manhã

No Estrela da Manhã, a disputa pelo título de Rainha do Carnaval era, no relato de Nery, era acirradíssima e cheia de emoção. “Para confraternização, no último dia de Carnaval era feita a visita dos foliões do Estrela ao Clube Tibagiano. Em seguida, a turma do Tibagiano retribuía a visita. Essa integração acontecia apenas uma vez ao ano”, revela.



O funcionário público Jocemar Assunção conta que seu pai, Antonio (conhecido por 'Tiquinho') fazia parte dessa festa. “Posso me orgulhar em dizer que meu pai ajudou a quebrar o preconceito que existia. Os clubes ficavam a menos de 50 metros de distância e numa altura da noite, todos saíam do Estrela, com banda e tudo, para visitar o Tibagiano. Foi uma brincadeira gostosa que ajudou a desfazer essa divisão entre brancos e negros, quebrou o gelo que existia”, sublinha Jocemar, que herdou de seu pai o gosto pelo Carnaval e até hoje é 'folião de carteirinha'.



Jocemar também relembra com brilho nos olhos do surgimento de uma marchinha que acabou se tornando um hino indispensável em cada evento momesco na cidade. “Até hoje, as bandas que vêm aqui tocar pedem pra ensinar essa marchinha, é como um patrimônio histórico, cantada pelos mais velhos mas também repetida por todas as gerações e até as crianças conhecem”. Emocionado, Jocemar ainda canta um trecho: “Tibagi! Tibagi! Levanta seu véu. Tibagi! Tibagi! No mundo é um pedaço do céu. Jogue a chave fora, que eu quero passar. Aí vem Tibagi, pro Carnaval animar”, entoa, acrescentando que havia sempre adaptações na última parte da cantiga, em que se podia dizer “meu grupo”, o “Estrela”, ou o nome da entidade representada.



Nessa época, grupo de tibagianos, liderado por Pedrinho Andreassa, Luiz Betim, Trajano, Nhô Loro, Ivá Navarro, Nelito Ribas e Quiro, confeccionou máscaras para desfile de rua. Nasce aí o bloco 'Tem nêgo bebo aí!'. Foi o primeiro passo para que aparecessem as escolas de samba da cidade. Sobre esse assunto, a próxima coluna Aconteceu! traz mais informações, com o relato de Moacir José Machado, mestre de bateria da Escola de Samba 18 de Março, a mais antiga em funcionamento.

Aconteceu!
Para valorizar o acervo do Museu e divulgar os acontecimentos que fizeram história em Tibagi, toda semana o diretor Neri Assunção, em parceria com a Assessoria de Comunicação da Prefeitura, desenvolve textos que relatam fatos marcantes na coluna Aconteceu!,no site (www.tibagi.pr.gov.br).


O Museu Histórico oferece trabalhos desenvolvidos em pesquisas e exposições temporárias. Permanece aberto de terça à sexta-feira das 8 horas às 11h30 e das 13 horas às 17h30. Sábados e domingos, a visitação pode ser feita das 9 horas às 11h30 e das 13h30 às 17 horas. Para agendamento, o telefone é(42) 3916-2189. A entrada é franca.

Texto: Emanoelle Wisnievski
Pesquisa: Nery Assunção
Fonte: Revista dos Curiosos Edição nº 12 fevereiro 2003
Imagens/Reprodução: Christian Camargo
Edição: João Pedro Agostinho

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