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Prefeitura Municipal de Tibagi

Tibagianos recordam consternação da primeira Copa no Brasil em 1950

 Tibagianos recordam consternação da primeira Copa no Brasil em 1950
ACONTECEU
Tibagianos recordam consternação da primeira Copa no Brasil em 1950



Se hoje, 64 anos depois, sobram meios de comunicação para acompanhar a Copa do Mundo no Brasil com inúmeras tecnologias a favor, na primeira edição do mundial no país em 1950 a realidade não era bem assim. Encontro que reuniu cinco tibagianos que acompanharam esta edição histórica, numa descontraída roda de conversa na Biblioteca Pública de Tibagi, apresentou peculiaridades curiosas dos desafios da época para poder estar antenados no mundial. Estas histórias fazem parte da coluna ‘Aconteceu!’, organizada pelo Museu Histórico Desembargador Edmundo Mercer Junior.




Djalma Lucio Martins, Joel Mello, José Tibagy de Mello, Nelson Cândido da Silva e Osvaldo Ribas de Paula se reuniram e por cerca de uma hora de muita conversa e recordação detalharam como foi a trajetória da seleção verde e amarela naquele mundial, o quarto da história, e principalmente o dia 16 de julho de 1950, data da final da copa do mundo entre Brasil e Uruguai. Segundo os torcedores tibagianos esse dia foi considerado a maior decepção da história do futebol brasileiro.



Nelson Cândido da Silva lembra que durante aquela copa, em mudança do Espírito Santo para Tibagi, ouviu uma das partidas em cima do caminhão já na estrada. “Foram mais de dez dias de viagem até aqui e me recordo bem de uma partida da seleção uruguaia que ouvi em cima do caminhão durante a mudança. O resultado final daquela copa só fiquei sabendo muito tempo depois, pois a comunicação era muito restrita”, detalhou. Nelson veio a Tibagi por causa das obras da Transbrasiliana quando trabalhava como topógrafo.

Energia elétrica

O ex-prefeito José Tibagy de Mello, o Zezito, lembra que Tibagi é uma das cidades mais antigas do Paraná a transmitir energia elétrica. “Porém, naquele tempo a luz era ligada somente a noite e os jogos eram a tarde. Lembro que meu pai pagou para o Ernersto Kusger ligar a energia na hora do jogo. E ficamos naquela agonia, pois estava quase na hora da partida e nada da luz ser ligada, de repente vimos o caminhão dele subir sentido a usina e bem na hora ligou a luz. Acabou o jogo desligaram de novo”, registrou.



Embora o futebol fosse a paixão nacional, naquele tempo poucos tibagianos se interessavam pelo esporte. “Pouca gente acompanhava, até mesmo pelas condições que eram precárias, era mais o boca-boca do povo contando sobre os resultados”, explica Zezito.

Alto-falante

Seu Osvaldo Ribas de Paula recorda que acompanhou aquela transmissão através de auto-falantes dispostos durante uma festa de igreja. “Eu estava em Curitiba naquela ocasião, na festa da igreja Cristo Rei e todos acompanharam pelos auto-falantes nos postes. No início todos estavam comemorando a vitória do Brasil, pena que durou pouco”, pontua.




Copa no Quartel

Djalma Lúcio Martins teve a sorte de seu superior, um tenente carioca, ser apaixonado por futebol e liberar que todos pudessem ouvir a transmissão dentro do quartel. “Eu era ordenança do quartel e acompanhamos quase todas as partidas pelo rádio. A seleção brasileira goleava todos que passavam pelo caminho, tinha feito uma campanha fantástica até chegar a final”, lembra.




16 de julho

Quem narra os detalhes da final desta copa do mundo é o tibagiano Joel Mello. “Acompanhei esse jogo na casa do meu amigo Mota. O Brasil abriu o placar no primeiro tempo com gol de Friaça em Maracanã lotado com quase 200 mil pessoas no estádio. No segundo tempo Uruguai empatou a partida com gol de Schiaffino. Até aí tudo bem pois o empate daria a vitória ao Brasil”, relata.



“Todos os brasileiros estavam confiantes, pois a campanha na copa tinha sido de muito aproveitamento e várias goleadas”, lembra Zezito. “Na festa da igreja o clima era de vitória, todos alegres”, conta Osvaldo. “O povo já comemorava aquela copa, todos acreditavam que a seleção era imbatível”, explica Djalma.

“Mas quando todos achavam que estava decidido veio a virada com gol de Ghiggia. 2 x 1 para o Uruguai e ninguém poderia acreditar naquilo”, descreve Joel.




Consternação

“Foi uma lástima, meu pai chorou, uma choradeira pra tudo que é lado”, lamenta Zezito. “Então desta forma não dá pra ter esperança 100%, pois com um time daquele, da copa de 50, perder pro Uruguai foi uma grande tragédia”, opina.




“Consternação total, parecia que um ente da família tinha morrido. Era essa a sensação do povo”, ressalta Djalma. “Em meio aquela alegria do empate, Brasil com a mão na taça veio o gol do Uruguai. Foi um dia muito triste, todos iam embora da festa calados”, conta Osvaldo.

Destaques

“Neste tempo não tinha muitos favoritos como hoje. Quase não se falava sobre as seleções da Europa ou pouco se conhecia. Mas desde aquele tempo a Argentina já era temida”, conta Zezito. “Os boatos daquela época era que a Argentina não veio jogar o mundial porque tinha ficado com ciúme do Brasil sediar a copa e daí optou por não vir”, recordou Djalma.




Joel diz que os grandes nomes da copa foram “Ademir de Menezes, Zizinho, Jair da Rosa Pinto e José Carlos Bauer”. Zezito relata que não havia apenas um nome, “era um time de muitas estrelas, todos brilhavam muito dentro do campo”, pontua.

Curiosidade

Embora o papo esportivo fosse sobre a Copa de 50, primeira sediada no Brasil, outro detalhe foi recordado por Zezito, mas sobre a copa de 58, na Suécia. “Era presidente do Clube Tibagiano, nesta época já estava com as paredes levantadas, mas o chão era ainda de terra. Ah, e já tinha luz durante o dia também.



Convidamos vários tibagianos, colocamos umas 50, 60 cadeiras no clube, e no palco, com todo destaque, colocamos um rádio. Todos acompanham em silêncio para ouvir a narração, bem ruim por sinal, pois oscilava bastante. Até mesmo quando o locutor gritava um gol, ficávamos em silêncio mais um instante para ter certeza de qual seleção tinha marcado”, detalha.



A conversa poderia rolar solta e passar por todas as demais edições com curiosidades e peculiaridades especiais de cada copa com análise tática das seleções e discussão sobre a escalação, tamanho conhecimento e paixão pela seleção brasileira apresentada pelos torcedores tibagianos, mas é assunto para próximas oportunidades da coluna ‘Aconteceu!’.

Aconteceu!

Para valorizar o acervo do Museu e divulgar os acontecimentos que fizeram história em Tibagi, toda semana o diretor Neri Assunção, em parceria com a Assessoria de Comunicação da Prefeitura, desenvolve textos que relatam fatos marcantes na coluna Aconteceu!,no site (www.tibagi.pr.gov.br).


O Museu Histórico oferece trabalhos desenvolvidos em pesquisas e exposições temporárias. Permanece aberto de terça à sexta-feira das 8 horas às 11h30 e das 13 horas às 17h30. Sábados e domingos, a visitação pode ser feita das 9 horas às 11h30 e das 13h30 às 17 horas. Para agendamento, o telefone é(42) 3916-2189. A entrada é franca.

Texto: Peter Allan
Produção: Nery Aparecido Assunção
Agradecimentos: Djalma Lucio Martins, Joel Mello, José Tibagy de Mello, Nelson Cândido da Silva e Osvaldo Ribas de Paula

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