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Prefeitura Municipal de Tibagi

Monge João Maria em sua passagem por Tibagi e a Guerra do Contestado

 Monge João Maria em sua passagem por Tibagi e a Guerra do Contestado
ACONTECEU!
Monge João Maria em sua passagem por Tibagi e a Guerra do Contestado



Desde a última semana, Tibagi está sediando no Museu Histórico Desembargador Edmundo Mercer Junior a exposição 'A Guerra do Contestado', organizada pelo Museu Paranaense. Aproveitando a temática, a coluna de fatos históricos 'Aconteceu!' narra este acontecimento e recorda a passagem do monge João Maria de Jesus por Tibagi e a influência dos monges na época para a eclosão da Guerra do Contestado.



Conta a história que a região do Contestado foi largamente percorrida por dois monges no período de 1845 a 1908. O primeiro se chamava João Maria D’Agostini, era italiano de origem. “Benzia, curava e não fazia ajuntamento de pessoas, nem dormia na casa de ninguém. Era muito venerado, batizou milhares de moradores na região sul do Brasil e desapareceu por volta de 1890”, descreve o pesquisador e diretor do Museu, Nery Aparecido de Assunção.



Em seguida surge outro monge, João Maria de Jesus, nome adotado por Anastás Marcaf, de origem turca. “Também percorria o sertão benzendo o povo, curando e batizando”, conta Assunção. Este ficou mais conhecido por sua passagem por Tibagi onde abençoava as fontes d'água. “Não juntava gente em volta de si e não dormia nas casas, mas atacava a República. Desapareceu por volta de 1908 e, segundo a população da época, 'está encantado no Morro do Taió'”, relata o pesquisador.



Entretanto, surge o monge que vai aglutinar o povo do sertão do Contestado e, de alguma forma, levá-los à guerra. “Chamava-se José Maria, mas seu verdadeiro nome era Miguel Lucena e sugeria seu irmão para ser chamado de João Maria. Este, por sua vez, benzia, curava, batizava e reunia gente ao seu redor para a leitura do livro do Rei Carlos Magno e seus Doze Pares de França - com seus ensinamentos sobre a guerra”, aponta Assunção, que recorda que ele atacava duramente as autoridades e a república.



Ameaçado pelos coronéis da região do Contestado, o monge e um grupo de sertanejos deslocaram-se para o Irani, em terras que o Paraná considerava suas, sendo palco do primeiro combate da guerra. No dia 22 de outubro de 1912, na região denominada Banhado Grande, José Maria e seu grupo foram atacados por soldados do Paraná comandados pelo coronel João Gualberto.



A Guerra

A Guerra do Contestado foi um conflito social que envolveu a população sertaneja e tropas militares, entre os anos 1912 a 1916 deixando um saldo de mais de 20 mil mortos e milhares de feridos.



A construção da estrada de ferro São Paulo – Rio Grande do Sul, pela empresa Brazil Railway Company e a exploração madeireira da Brazil Lumber and colonization provocaram a expropriação das terras ocupadas pela população sertaneja, na região disputada política e territorialmente entre os governos do Paraná e Santa Catarina, origem da revolta que explodiu numa guerra civil.



Em 1914, o Governo mais uma vez foi neutralizado com a fuga em massa dos moradores do contestado. No ano seguinte, outros confrontos seriam marcados com sucessivas derrotas do Exército. O já prolongado conflito só veio a ter um fim quando as tropas do Governo foram mantidas por mais de um ano em confrontos regulares contra a comunidade revoltosa. Para tanto, utilizaram-se de aviões e uma pesada artilharia. No fim da luta, em 1916, milhares de sertanejos foram brutalmente executados.



Aconteceu!
Para valorizar o acervo do Museu e divulgar os acontecimentos que fizeram história em Tibagi, toda semana o diretor Nery Assunção, em parceria com a Assessoria de Comunicação da Prefeitura, desenvolve textos que relatam fatos marcantes na coluna Aconteceu!, no site (www.tibagi.pr.gov.br).

O Museu Histórico oferece trabalhos desenvolvidos em pesquisas e exposições temporárias. Permanece aberto de terça à sexta-feira das 8 horas às 11h30 e das 13 horas às 17h30. Sábados e domingos, a visitação pode ser feita das 9 horas às 11h30 e das 13h30 às 17 horas. Para agendamento, o telefone é (42) 3916-2189. A entrada é franca.


Texto: Assessoria de Comunicação
Pesquisa: Nery Aparecido de Assunção
Fonte: Rainer Sousa, graduado em História
Equipe Brasil Escola / Acervo Museu do Contestado, Caçador – SC / Sérgio Rubin / Imagens: Acervo Coleção Família Jansson – Museu Paranense

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