Notícias: Aconteceu! João Desidério: o calmo e destemido mensageiro do sertão

on 10/06/2011 - 17:16 2194 reads No início do século passado, o município de Tibagi abrangia uma extensa área territorial que chegava ao norte e centro-oeste do Estado. O território incluía até o município de São Jerônimo da Serra, onde reservas indígenas significavam certo perigo a estranhos desbravadores. Com poucas estradas e acessos vicinais complexos, nada conhecidos, o trabalho de distribuição postal era um grande desafio. João Desidério era este destemido conhecedor das terras tibagianas, praticamente o GPS da época.



Nomeado em 22 de maio de 1922 para cargo de Estafeta Postal de Tibagi e Caetê, hoje município de Curiúva, Desidério conhecia as entranhas não exploradas dessa imensa área. Era revendedor das máquinas de costura da Singer do Brasil e também viajava com os padres Redentoristas em suas peregrinações de evangelização pelo interior. Tornou-se o principal mensageiro e guia obrigatório para quem precisasse viajar pela área desconhecida. “Não havia estradas regulares e naturalmente havia sério risco de as pessoas se perderem se não tivessem um bom condutor”, explica Neri Assunção, diretor do Museu Histórico Desembargador Edmundo Mercer Júnior.

Com apenas 1,63 metro, o baixinho João Desidério embrenhava-se mato adentro para conduzir grupos e entregar malas postais. “Era maneiroso com os indígenas e não os temia, mesmo porque já era acostumado a cruzar a região. Desde 1911 exercia cumulativamente o cargo de Oficial de Justiça do Juízo”, assinala Neri.



Na década de 1940, quando se descobriu que a terra vermelha dava o melhor café, todo o Norte do Paraná começou a plantar. Em consequência, abriram-se estradas em todas as direções que levassem até lá. “Embora lamacentas e escorregadias, já mostravam o caminho, de modo que os carros e ônibus passaram a trafegar por elas levando inclusive as malas postais. A partir daí, João Desidério começou a distribuir a correspondência na cidade de Tibagi”, conta o diretor do Museu.



Neri relata que ao final de lindas tardes de verão, com a correspondência toda entregue, Desidério chegava alegre ao armazém de Aguinaldo Guimarães Cunha. “Pedia um bom pedaço de salame, uns dois pães, que vinham sempre graciosamente com uma xícara de café, e começava a contar ao dono do armazém suas peripécias de longas viagens”.



Em mais de 30 anos de serviços prestados ao país como “correio do sertão”, entre Castro, Tibagi e Jataizinho, quando não havia estradas e restaurantes, Desidério preparava suas refeições durante as viagens. “Conduzia também suas panelas e apetrechos. Com seu uniforme cáqui, quepe e sua mala, levava correspondência e jornais e seguia montado em seu cavalo”.

Pio Alves de Lara escreveu em 1958 no Boletim da Igreja Nossa Senhora dos Remédios, Voz de Tibagi: “Se algum dia alguém tiver a ideia de levantar uma estátua ao homem mais calmo de Tibagi, o homem mais lento da atualidade da Terra dos Diamantes, não haja dúvida, será escolhido Seu João, o carteiro”.

Apesar de ainda não ter sua estátua, o tibagiano João Desidério deixa sua marca na história das comunicações no Brasil. O mensageiro nasceu em Tibagi em 26 de junho de 1889, viveu num sítio arborizado onde hoje está o Centro Municipal de Eventos, o Horto Florestal. Com a saúde que o permitiu muito andar e desbravar o sertão, viveu até os 75 anos. Sua morte foi anunciada pelos sinos da Igreja Matriz em 22 de agosto de 1964.



O Museu Histórico guarda lembranças de João Desidério. Em uma vitrine, estão expostos o precioso quepe, sua mala que tantas histórias carregou e fotos.



Paulo Bregaro


(http://www.saf.org.br/sugestao_programas/dia_carteiro.php3)

Na história postal brasileira, um carteiro que se notabilizou. Paulo Bregaro levou ao príncipe D. Pedro as notícias de Portugal que ensejaram a Independência do Brasil. As palavras proferidas pelo Conselheiro José Bonifácio de Andrada e Silva, ao recomendar pressa na entrega das correspondências, ainda hoje sintetizam a mística do trabalho responsável do carteiro: "Arrebente e estafe quantos cavalos necessários, mas entregue a carta com toda a urgência", segundo uma versão. "Se não arrebentar uma dúzia de cavalos, no caminho, nunca mais será Correio, veja o que faz!", de acordo com outra versão. Por seu feito, Paulo Bregaro é o patrono dos Correios.

Em 1835, o Correio da Corte passou a fazer a entrega de correspondência a domicílio. Até então, só tinham direito a essa concessão, pelo Regulamento de 1829, as casas comerciais e os particulares que pagassem uma contribuição anual de dez a 20 mil réis.

Em 1852, o telégrafo foi introduzido no Brasil e as pessoas que faziam a entrega de telegramas eram chamadas de mensageiros. Carteiro era a designação privativa dos serviços dos Correios. Hoje, a palavra carteiro é utilizada, indistintamente, para a entrega de cartas e de telegramas. A Repartição Geral dos Telégrafos era separada do Departamento de Correios; somente em 1931 é que houve a fusão dos dois serviços, criando-se o Departamento de Correios e Telégrafos – DCT. Em março de 1989, o antigo DCT foi transformado na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – ECT.




Aconteceu!

Para valorizar o acervo do Museu e divulgar os acontecimentos que fizeram história em Tibagi, toda semana o diretor Neri Assunção, em parceria com a Assessoria de Comunicação da Prefeitura, desenvolve textos que relatam fatos marcantes na coluna Aconteceu!, no site (www.tibagi.pr.gov.br).

O Museu Histórico oferece trabalhos desenvolvidos em pesquisas e exposições temporárias. Permanece aberto de terça à sexta-feira das 8 horas às 11h30 e das 13 horas às 17h30. Sábados e domingos, a visitação pode ser feita das 9 horas às 11h30 e das 13h30 às 17 horas. Para agendamento, o telefone é (42) 3916-2189. A entrada é franca.


Texto: Emanoelle Wisnievski
Pesquisa: Neri Aparecido Assunção
Fontes: BEJES, Nylzamira Cunha. Teu Nome é História. Planeta, 2007.
http://www.saf.org.br/sugestao_programas/dia_carteiro.php3
Boletim da Paróquia Nossa Senhora dos Remédios – Voz de Tibagi, 1958.
Imagens: Christian Camargo e Acervo Museu Histórico