Notícias: Aconteceu! As árvores na história de Tibagi

on 23/09/2010 - 20:33 4889 reads O Dia da Árvore no Brasil é comemorado em 21 de setembro, data que em Tibagi é celebrada todos os anos de maneira especial, já que se trata do Município da Sustentabilidade e da Ehco Cidade Limpa, conforme selo cedido pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). As belas paisagens naturais que fomentam o turismo, mais programas de reciclagem de lixo e de habitação ecológica, já impregnaram na consciência da população o amor pelo meio ambiente e a defesa dos recursos naturais. As árvores também marcam a história da comunidade e é a elas que a coluna de fatos históricos do Museu Desembargador Edmundo Mercer Júnior se volta nesta semana.



São várias as árvores que representam momentos marcantes em Tibagi. A de maior destaque foi plantada ainda na época da Freguesia por Frei Gaudêncio de Gênova, primeiro vigário da Paróquia Nossa Senhora dos Remédios. “Ele semeou no quintal de sua residência a mais linda Paineira do Paraná”, diz Neri Aparecido Assunção, pesquisador e diretor do Museu.



Já a famosa Figueira que dá nome a uma pousada na área central foi plantada entre a taipa de pedra por escravos no século XIX.



Frondosa, a árvore ocupa quase todo o jardim da pousada e faz sombra às redes que agradam turistas.



A praça Leopoldo Mercer, em frente à Igreja Matriz, contava com corpulentas árvores no início do século passado. As que ainda hoje embelezam a área são da década de 1960. Palmeiras plantadas em 1940 no local foram retiradas no segundo projeto de paisagismo. Já as palmeiras que rodeiam a igreja, construída em 1936, foram plantadas na década de 1980.



Neri relata que na década de 1920 era tradição entre as famílias fazer retratos em frente às tuneiras, plantas parecidas com cactus que chamavam a atenção ao lado do Rio Tibagi. “Hoje não existem mais”, completa.



Outro ponto de encontro dos tibagianos era a Árvore Barbuda, próximo à ponte do Rio Tibagi. O apelido devia-se à 'Barba de Bode' que preenchia os galhos. Na década de 50 eram frequentes os piqueniques em sua sombra.

“E aqui no interior quase todo mundo conhece o bugreiro e a lenda de que quem passa por debaixo da árvore sem cumprimentá-la, padece de uma grave alergia na pele. Então, o hábito é sempre dizer: boa tarde compadre bugre!”, relata o coordenador.

Comemorações

O Museu também guarda registros de várias comemorações referentes ao Dia da Árvore em Tibagi, com a participação de estudantes. Ata de 21 de setembro de 1956 registra a presença de alunos e professores do Curso Normal Regional no pátio do Grupo Escolar Telêmaco Borba. O documento mostra a ordem da solenidade, que teve Hino Nacional, discursos, cantos e poesias. Discursaram a senhora Ema Nessel e Marlene Guimarães, com a 'Oração às Árvores'.

A poesia 'Faz-me Uma Árvore' foi declamada por Elza Maria Telles. Adelita Martins apresentou o tema 'A Primavera' e 'As Árvores' foi declamada por Irene Lemes. Zeli Soares entoou o canto 'Fim da Comédia' e Marilda Teixeira, a música 'Arrevidesce Roma'. “Logo em seguida foi feito o plantio das árvores ao som em coro do Hino às Árvores”, ressalta Neri.

Dia da Árvore



O Dia Mundial da Árvore ou Dia Mundial da Floresta festeja-se oficialmente em 21 de março. A data foi celebrada pela primeira vez no estado norte-americano de Nebraska, em 1872. Nos EUA, é hoje comemorada no dia 23 de setembro, junto do aniversário de Julius Sterling Morton, morador da Nebrasca, que incentivou a plantação de árvores naquele estado.



Já no Brasil, o 21 de setembro foi escolhido por ser próximo ao início da primavera, estação em que as flores aparecem em maior quantidade. Essenciais para a vida, as árvores não só embelezam o planeta, como mantêm a umidade do ar. Além disso, ajudam a diminuir a poluição, porque dissolvem o gás carbônico, durante a queima de combustível. Produzem oxigênio, mudam a direção dos ventos, firmam o solo das encostas e também as margens dos rios.

Através da madeira dos seus troncos ainda é possível colher matéria prima para a fabricação de medicamentos. No Brasil, a árvore mais antiga é um jequitibá de 3.020 anos, localizado em Santa Rita do Passa Quatro, em São Paulo. Sua copa possui 39 metros de diâmetro, onde vivem tucanos e macacos, entre outros animais.

Serviço

Aos 23 anos, o Museu Histórico oferece trabalhos desenvolvidos em pesquisas e exposições temporárias. Permanece aberto de terça à sexta-feira das 8 horas às 11h30 e das 13 horas às 17h30. Sábados e domingos, a visitação pode ser feita das 9 horas às 11h30 e das 13h30 às 17 horas. Para agendamento, o telefone é (42) 3916-2189.


Texto: Emanoelle Wisnievski
Pesquisa: Neri Aparecido Assunção
Imagens: Christian Camargo e Arquivo Museu Histórico Desembargador Edmundo Mercer Júnior