Notícias: Museu faz homenagem a centenário do patrono

on 16/09/2010 - 15:30 2990 reads O patrono do Museu Histórico de Tibagi, desembargador Edmundo Mercer Júnior, será homenageado por sua família e pela Prefeitura num evento em comemoração aos 100 anos de seu nascimento. A cerimônia pelo centenário do ilustre tibagiano, morto em 1974, será neste domingo (19), com início às 11h15 no Teatro Municipal. O presidente do Tribunal de Justiça do Paraná Celso Rotoli de Macedo e o Corregedor Geral Rogério Coelho, mais dois desembargadores, confirmaram participação na solenidade.



Um busto do patrono será implantado em frente ao Museu com descerramento de placa alusiva aos 100 anos. A filha do homenageado, Margarida Mercer, é uma das organizadoras do tributo e, além de apresentar a biografia de Mercer Júnior, com fotografias históricas, também vai interpretar o Hino Nacional com o músico Ramon Assunção ao violão. Outros discursos aos convidados serão feitos no Teatro Municipal, onde haverá confraternização dos familiares.



Margarida diz que não tem como descrever a emoção pela homenagem que Tibagi está fazendo para seu pai. “Para nós da família, que continuamos nos dedicando a esta terra, cultivando o amor a esta terra, é uma coisa que, como diz o poeta, só sabemos sentir”, afirma.



“Ele levou o nome de Tibagi para todos os estados do Brasil e fora do país também. Para ele, esta cidade toda vida foi especial, da maior importância do mundo”, revela. Margarida ainda destaca que o advogado ocupou todos os cargos que o Direito ofertou na época, foi o único tibagiano a assumir uma cadeira de desembargador, mas sempre com muita modéstia. “Manteve a humildade e nunca deixou Tibagi. Era aqui que ele revigorava o espírito. Tinha um amor indescritível por esta cidade. Porque gostar, todo mundo gosta de Tibagi, mas ele era mesmo fora do normal. Tudo o que ele tinha ao alcance, como homem público, trazia para cá. Na época o mais importante eram as estradas e ele cuidava do acesso para Alto do Amparo, mandava arrumar. O asfalto de Castro para cá foi ele quem conseguiu”, enumera. “Era um embaixador do povo tibagiano. O paizão da cidade”, finaliza.

Veja como foi

Biografia



Edmundo Mercer Júnior nasceu em 03 de abril de 1908 em Tibagi, filho de Edmundo e Laura e Bittencourt Mercer. Ao graduar-se professor, em 1926, na Escola Normal de Curitiba, ingressou na faculdade de Direito na Universidade Federal do Paraná. Alfabetizava adultos no Quartel do 9o Regimento de Artilharia Montada na mesma época em que se tornou servidor público da Secretaria de Educação e Cultura. Era jornalista colaborador do Jornal da Tarde e da Gazeta do Povo nas áreas esportiva e jurídica e atuava como colunista.



Ainda como acadêmico de Direito foi nomeado Promotor Público para as comarcas de Irati, Tomazina e, mais tarde, Londrina. Esportista amador, integrou por vários anos o primeiro quadro do Clube Atlético Paranaense e foi bicampeão estadual invicto. Retornou na década de 30 à cidade natal para exercer sua profissão pelos próximos 11 anos. Casou-se em 1936 com Albertina Lagos Martins e teve quatro filhas.



Aos 29 anos foi nomeado prefeito de Tibagi e em 1942 mudou com a família para Londrina, onde chegou a ser delegado de polícia. Na cidade, dirigiu o Paraná Jornal – primeira experiência de jornal de linotipo diário na região.



Em 1953 voltou a Curitiba como Procurador Geral da Justiça. Em 1958 tornou-se Desembargador, em 63 assumiu a função Corregedor Geral, em 65 de Vice-Presidente do Tribunal de Justiça e em 73 tornou-se Presidente do TJ. Foi re-eleito várias vezes presidente da Associação dos Magistrados do Paraná.



Escreveu o livro 'Ensino Prático de Direito', enquanto lecionava na Faculdade de Direito de Curitiba, e dois volumes de ‘Caminhos do Procedimento’, para uso dos iniciados em magistratura. Fundou o Escritório Modelo de Advocacia para estudantes cujo regulamento é ainda hoje adotado pelas instituições de ensino.



Jornalista e conferencista no Brasil e exterior, foi sócio do Instituto Histórico e Geográfico Paranaense e inaugurou em 1974 o Museu da Justiça, um dos primeiros do Brasil. Foi candidato a deputado estadual e federal e se tornou cidadão honorário de vários municípios e sócio benemérito da Associação dos Magistrados de Sergipe, cuja fundação inspirou, assim como a do Pará. Morreu em 1974, de enfarto do miocárdio.



Em seu discurso quando se tornou Desembargador do TJ, Mercer Júnior demonstrou humildade. “Assiste-me o direito de pedir a Deus, com todo o fervor, que me tire a vaidade e o orgulho desta conquista; que me restitua a alma simples e modesta de homem de Tibagi”, pronunciou.

Reforma traz mais conforto aos visitantes e qualidade na conservação do acervo



O centenário do nascimento de Mercer Júnior foi em 03 de abril de 2008, mas a homenagem póstuma acontece dois anos após em celebração também à obra de revitalização do Museu que leva seu nome. O local permanece fechado à visitação para a obra de restauração do prédio, com quase 60 anos.

Houve a substituição das vigas de sustentação do telhado, troca do forro, novas pintura e instalações elétricas. Aproximadamente R$ 40 mil foram aplicados em materiais de construção com recursos da Prefeitura. Neri Aparecido Assunção, diretor do Museu, comenta que as salas da exposição permanente devem voltar a receber o público em breve com mais conforto. “E o acervo fica melhor resguardado das intempéries, porque a estrutura agora vai ter mais condições de manter a temperatura e luminosidade adequadas para a preservação das peças”, acrescenta.

Museu



Depois do Parque Estadual do Guartelá, o Museu Histórico Desembargador Edmundo Mercer Júnior é o ponto turístico mais visitado de Tibagi. São mais de 800 visitantes de várias partes do mundo todo mês, que buscam a história de Tibagi e do Estado. Neste ano, o Museu completou 23 de existência.

A coleção foi aberta ao público em 21 de março de 1986 e sua inauguração aconteceu em 03 de abril de 1987. A construção adquirida pela Prefeitura em 1905, para abrigar o Paço Municipal, Delegacia e Cadeia Pública, foi demolida em 1949 e abriu espaço para a obra de moderno edifício que abrigou Fórum até 1983. Dois anos depois, o local abrigou as instalações do Museu Histórico em termo de comodato do Município com o Estado. O prédio foi restaurado, conservando suas características e hoje pertence ao Município.

Administrado pela Prefeitura de Tibagi, através da Secretaria Municipal de Educação e Cultura, o espaço trata de reconhecer os bens culturais do município também como fonte de desenvolvimento econômico, que atrai visitantes e interage com o turismo.

Acervo

O acervo é constituído por número expressivo de objetos que documentam a história de Tibagi. Na valiosa compilação estão peças originais que pertenceram a ilustres tibagianos com relevo na vida pública do Estado e que caracterizam o Museu Histórico Desembargador Edmundo Mercer Júnior como um dos melhores acervos do Paraná, constituindo total de 6.175 itens, sendo 5.476 objetos de doação e outros 699 em depósito.

O prédio está dividido em salas temáticas: Hall de Entrada (homenagem ao Patrono), Sala do Garimpo, Salão de Fotografias, Sala Histórica, Talentos Musicais, Sala Indígena, Sala Fatos do Passado, Sala Usos e Costumes e Sala do Tropeiro. O Bibliotáfio (livros raros e documentos) também está no acervo, separado em sala de arquivo.

Serviço

Aos 23 anos, o Museu Histórico oferece trabalhos desenvolvidos em pesquisas e exposições temporárias. Permanece aberto de terça à sexta-feira das 8 horas às 11h30 e das 13 horas às 17h30. Sábados e domingos, a visitação pode ser feita das 9 horas às 11h30 e das 13h30 às 17 horas. Para agendamento, o telefone é (42) 3916-2189.

Texto: Emanoelle Wisnievski
Pesquisa: Neri Aparecido Assunção
Imagem: Christian Camargo