Notícias: Sete de Setembro: Fogo Simbólico da Pátria passou por Tibagi

on 03/09/2010 - 16:29 3052 reads O mês de setembro de 1976 ficou marcado na história de Tibagi com a recepção, pela primeira vez, do Fogo Simbólico da Pátria, aderindo à tradição surgida em 1937 no Rio Grande do Sul e repetida ainda hoje em muitas cidades brasileiras. Álbum de fotografias do acervo do Museu Histórico Desembargador Edmundo Mercer Júnior registra o momento daquela Semana da Pátria, quando também aconteceu a primeira edição dos Jogos Olímpicos de Tibagi.



“Naquele tempo o Brasil vivia sob a ditadura militar e um coronel do Exército organizava tudo lá de Brasília. A intenção era fazer com que a juventude tivesse amor à pátria”, conta Alberto Verhagen, professor aposentado que ajudou a coordenar a recepção da pira em Tibagi por cinco anos. “Vinha de Brasília para Curitiba e de lá para Ponta Grossa.



Aí os atletas de Ponta Grossa traziam até o limite do município, carregando o Fogo Simbólico que era entregue para o prefeito e autoridades. Os nossos estudantes vinham conduzindo a pira, desde o Marabá [divisa entre Tibagi e Ponta Grossa] até a cidade, se revezando na corrida”, relata.

O grupo de corredores de Tibagi também ficou em uma ocasião na localidade de Alto do Amparo para receber a pira dos moradores de Imbituva. “Dependia da programação de cada ano. Depois o fogo ficava na cidade por um ou dois dias e era levado até outro município, Telêmaco Borba ou Ventania por exemplo”, diz Verhagen.



Acelino Félix da Silva era contador da Prefeitura naquela época e também gostava de participar da atividade. Para o aposentado, hoje restam saudades. “O fogo corria o Brasil. Os atletas iam carregando até chegar na cidade. A gente instalava a pira num latão cheio de estopa e óleo diesel na praça central. Os comerciantes enviavam os funcionários para cuidar do fogo durante a noite. Não podia apagar”, conta.



O evento era acompanhado por solenidades cívicas como apresentação de fanfarras e execução do Hino Nacional na praça Leopoldo Mercer. “Era muito legal, envolvia toda a população, as meninas também corriam com o fogo”, relembra Silva. Com as bandeiras hasteadas, cabia também às instituições de ensino não deixar o fogo apagar. Estudantes do Colégio Irênio Moreira Nascimento, Escola Normal Nereu Ramos, Escola Para Menores de Tibagi e oficiais do Batalhão da Polícia Militar eram escalados para a guarda da pira.



Para Verhagen, as lembranças também são de momentos positivos. “Incentivava os atletas a correr, todo mundo se envolvia. Um caminhão acompanhava os corredores que se revezavam”.

Jogos Olímpicos de Tibagi



Além de recepcionar o Fogo Simbólico, a cidade ainda comemorava a Semana da Pátria com os Jogos Olímpicos de Tibagi em 1976, em competições de atletismo, xadrez e outras modalidades.



Os desfiles escolares de Sete de Setembro já eram realizados com concentração na praça 15 de Novembro (hoje praça Leopoldo Mercer) na presença das fanfarras ensaiadas pelos próprios professores e alunos das escolas municipais.



Em 1984 outra novidade: o Projeto Independência trouxe teatro ao ar livre para interpretar o momento em que Dom Pedro dá o famoso grito do Ipiranga. O público se reunia nas arquibancadas do Centro de Eventos para assistir ao espetáculo com atores da comunidade. Sobre o cavalo, à margem de um riacho, com a espada em mão, o anúncio do ator pela “Independência ou Morte!” era o ponto alto da peça.

Origem do Fogo Simbólico da Pátria

Em 1937 a ideia de um grupo de patriotas do Rio Grande do Sul ganhou força em todo o país. Eles procuravam um símbolo que representasse o ardor cívico do nosso povo. A escolha recaiu sobre o fogo, referência ao elemento cuja descoberta deu início à evolução do homem.

A Liga da Defesa Nacional assumiu a organização e levou a pira para todo o território do Brasil numa corrida de revezamento denominada Corrida do Fogo Simbólico da Pátria. Em 1938 foi realizada uma pequena corrida, num trecho de 26 quilômetros, entre as cidades de Viamão e Porto Alegre. Desde então, todos os anos, por ocasião das comemorações da independência, a Liga realiza a cerimônia como ato de abertura da Semana da Pátria.


Texto: Emanoelle Wisnievski
Pesquisa: Neri Aparecido Assunção
Imagens: Arquivo Museu Histórico Desembargador Edmundo Mercer Júnior