Notícias: Aconteceu! A fotografia na história de Tibagi

on 20/08/2010 - 19:20 3331 reads Na semana em que se comemora o Dia Mundial da Fotografia, 19 de agosto, a coluna de fatos históricos Aconteceu! do Museu Histórico Desembargador Edmundo Mercer Júnior resgata a história da fotografia em Tibagi. Segundo o pesquisador Neri Aparecido Assunção, a foto mais antiga da cidade é de 1851, da praça central, quando da época da Freguesia. De autoria desconhecida, a imagem mostra o descampado centro da cidade com uma grande construção no horizonte.



Outro registro interessante foi do início do século 20, quando na praça da Matriz aconteceu o espetáculo das cavalhadas. As fotografias destacam os cavaleiros e seus grupos, algumas são do fotógrafo Hugo Nickol, que se tornou conhecido na cidade.



Neri relata que na década de 1920 a tradição pedia fotografias às margens do Rio Tibagi durante os piqueniques. As moças eram o alvo principal, mas as famílias também gostavam de retratos em frente às tuneiras, plantas parecidas com cactus que chamavam a atenção ao lado do rio.



Mais tarde, na década de 50, o local de posar para fotos era a praça 15 de Novembro, hoje praça Leopoldo Mercer (da Matriz). A ponte do Rio Tibagi recém construída era outro ponto obrigatório dos registros familiares. “Também era comum fotografar a pitoresca cidade no Alto do Nequinho, onde o ângulo permitia grande alcance sobre o centro da cidade”, comenta Neri.



Fotógrafos

Alguns fotógrafos fizeram história em Tibagi. Na década de 50, Aníbal Lopes Pedroso estabeleceu-se na praça da Matriz e por alguns anos trabalhou como barbeiro e fotógrafo. Depois, Floriano Zapzalka veio morar na rua Ana Beje e montou lá um estúdio de revelação e de fotos. Seu filho, Célio Luiz Zapzalka, herdou a profissão e aos 11 anos já fazia as tradicionais 3 x 4 para documentos. Aos 63 anos, Célio ainda mantém o hábito de clicar no obturador e colecionar suas obras. “Primeiro eu trabalhava fazendo as fotos de documento, depois passou a ser um hobbie que tenho ainda hoje”, conta.

Apreciador das imagens da natureza, Célio guarda um acervo com mais de dez mil fotos em casa. “Minhas preferidas são as de pôr de sol”, revela o ex-revelador de negativos. “Gosto do jogo de cores, da luz e de escolher o momento exato de fazer a foto”.



A paixão pela fotografia evoluiu junto da técnica. Dos filmes em tamanho 120, com a câmera do pai, hoje exposta no Museu, Célio passou às máquinas mais modernas e hoje é adepto das digitais. “Entendo a fotografia como arte também, de eternizar aquele momento, além de diversão. E cada foto é própria, não existem duas iguais”.

Outro nome que participou da história da fotografia em Tibagi é Paulo Mercer Carneiro. Ele capturou imagens de prédios antigos da cidade e as fotos estão em exposição no Museu Histórico, que tem inclusive uma sala com seu nome.



“Também passou por Tibagi, registrando imagens da cidade, Hugo Wisoski, que era de Castro, e o senhor Antônio”, conta Neri. Muitos tibagianos, segundo o historiador, ainda lembram daquela novidade – fotos coloridas que Antônio carregava em uma pasta marrom. “Ele entregava em cada residência as fotos reveladas”.

Com o advento do cinema e a expansão da fotografia no mundo todo, Tibagi recebeu ainda vários fotógrafos que marcavam presença nos desfiles, casamentos e rituais religiosos. Quase toda família tinha um retrato tirado por Moraes nestas festividades. “Ele instalou um estúdio na praça Leopoldo Mercer, na década de 80, ficando conhecido com Foto Moraes”, relata Neri.

Na recordação de Neri e nos objetos do acervo do Museu ainda há espaço para o nome de Elias Monteiro Lopes – que gostava de registrar jogos de futebol. “Ele acompanhava sempre os jogos ali no campo com sua máquina. Muitas das fotos das equipes de futebol que temos aqui são dele”.



História (wikipedia.com)

A fotografia não é a obra final de um único criador. Ao longo da história, diversas pessoas foram agregando conceitos e processos que deram origem à fotografia como a conhecemos. O mais antigo destes conceitos foi o da câmara escura, descrita pelo napolitano Giovanni Baptista Della Porta, já em 1558, e conhecida por Leonardo da Vinci que a usava, como outros artistas no século XVI para esboçar pinturas.

A primeira fotografia reconhecida é uma imagem produzida em 1826 pelo francês Joseph Nicéphore Niépce, numa placa de estanho coberta com um derivado de petróleo fotossensível chamado Betume da Judéia. A imagem foi produzida com uma câmera, sendo exigidas cerca de oito horas de exposição à luz solar. Nièpce chamou o processo de "heliografia", gravura com a luz do Sol. Paralelamente, outro francês, Daguerre, produzia com uma câmera escura efeitos visuais em um espetáculo denominado "Diorama". Daguerre e Niépce trocaram correspondência durante alguns anos, vindo finalmente a firmarem sociedade.



No Brasil, o Francês radicado em Campinas, São Paulo, Hércules Florence conseguiu resultados superiores aos de Daguerre, pois desenvolveu negativos. Contudo, apesar das tentativas de disseminação do seu invento, ao qual denominou "Photographie" - foi o legítimo inventor da palavra - não obteve reconhecimento à época. Sua vida e obra só foram devidamente resgatadas em 1976 por Boris Kossoy.

A fotografia então popularizou-se como produto de consumo a partir de 1888 com a introdução da câmera tipo "caixão" e pelo filme em rolos substituíveis criados por George Eastman. A grande mudança recente, produzida a partir do final do século XX, foi a digitalização dos sistemas fotográficos. A fotografia digital mudou paradigmas no mundo da fotografia, minimizando custos, reduzindo etapas, acelerando processos e facilitando a produção, manipulação, armazenamento e transmissão de imagens pelo mundo. O aperfeiçoamento da tecnologia de reprodução de imagens digitais tem quebrado barreiras de restrição em relação a este sistema por setores que ainda prestigiam o tradicional filme, e assim, irreversivelmente ampliando o domínio da fotografia digital.

Foto famosa



José Gonçalves Guimarães, conhecido por 'Brasileiro', é autor de uma fotografia famosa em Tibagi. Sentado numa mesa de jogos, Brasileiro ajeitou a câmera para registrar uma cena em que ele mesmo interpreta os dois personagens. Um com as cartas nas mãos, outro com uma arma, extorquindo o suposto ganhador. A montagem é conhecida há mais de 50 anos e está no acervo do Museu.


Texto: Emanoelle Wisnievski
Pesquisa: Neri Aparecido Assunção
Imagens: Christian Camargo e Acervo do Museu Histórico Desembargador Edmundo Mercer Júnior