Notícias: Aconteceu! Censo: Tibagi já teve mais de 35 mil habitantes

on 10/08/2010 - 17:24 5828 reads Criado em 1936, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística realiza em média a cada dez anos o Censo Demográfico, em andamento neste ano. Mas a contagem populacional já acontecia antes e o município de Tibagi reserva curiosidades sobre a aplicação da pesquisa, desde a primeira, em 1872. A população do município, que no último censo era de pouco mais de 18 mil habitantes, já chegou a ser de mais de 35 mil, quando Tibagi abrangia outros muitos municípios, posteriormente desmembrados.



Século XIX

Recém-criado, o município contava em 1872 com 4.981 habitantes e compreendia enorme área territorial que abrangia grande parte do Paraná, fazendo divisa com Estado de São Paulo e Mato Grosso. Após este período, segundo o pesquisador Neri Aparecido Assunção, as minas de diamante e ouro ficaram menos lucrativas e os mineiros se tornam pequenos fazendeiros e comerciantes que habitavam o extenso município. Em 1890, a população de Tibagi já estimava em 11.622 habitantes.

Novo século

“Em 1912, os garimpos do Rio Tibagi, quase abandonados, começaram a ter afluência de novos operários, quase todos do Norte e Nordeste do Brasil, trazendo consigo alguns garimpeiros práticos e suas famílias”, comenta o pesquisador. Três anos depois, a superfície de Tibagi era de 59,2 mil km2 e a extensão foi registrada por Edmundo Mercer, num mapa que ainda é preservado no Museu Histórico Desembargador Emundo Mercer Júnior. “O território tomava boa parte do Estado e Tibagi tinha uma importância política muito grande nesta época. Tanto que saíram daqui muitos nomes de relevância, que fizeram parte do governo estadual e dos outros poderes”, explica Neri.

Década de 1920

Na década de 1920, a população era de 35.628 habitantes e o município tinha vários distritos, muitos, hoje, municípios emancipados: Reserva, São Jeronimo, Jataí e Amparo. Somente Alto do Amparo ainda configura-se como distrito.

Em 23 de fevereiro de 1920, o distrito de São Jerônimo foi emancipado e teve sua sede na Colônia Militar de Jataí, e em 26 de março do ano seguinte foi criado o município de Reserva, com suas terras desmembradas.

1924

No ano de 1924, os principais comércios eram casas varejistas de tecidos armarinhos, ferragens, louças e arreios, além de farmácias e hotel. A principal escola era a Telêmaco Borba, com 120 alunos, e a média de batizados era de dois mil por ano, sendo 400 os casamentos. Havia 125 prédios no perímetro urbano.



Nessa época, o município fazia limites com Castro, Piraí do Sul, Jaguaraíva, Tomazina, São Jerônimo, Guarapuava, Reserva, Ipiranga, Conchas e Estado de São Paulo – somava população de 35,7 mil moradores numa superfície de 30 mil km2. Os principais produtos eram diamantes, gado bovino, suinocultura, mate, fumo e cereais.

Década de 1940

A pesquisa de 1942 aponta já a presença da Indústria Klabin do Paraná de Celulose S/A, montada na Fazenda Monte Alegre, e a indústria Wagner & Cia, fábrica de pasta mecânica instalada no distrito do Alto do Amparo. A população era de 31 mil habitantes.



Em 1948 foi criado o distrito administrativo de Ventania, que em 64 tornou-se distrito judiciário e na década de 1990 emancipou-se.

Décadas de 1950 e 60

Outros desmembramentos diminuíram a extensão territorial de Tibagi, ainda hoje segundo maior do Paraná. Ortigueira tornou-se município em 1951 e em 1964. No livro Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, de 1960, Tibagi aparecia com população de 31.983 pessoas (16.446 homens e 15.537 mulheres).

A explosão demográfica e o desenvolvimento do distrito de Monte Alegre por conta da Klabin culminou, em 1960 com a elevação da localidade a Município, ainda com a denominação de Cidade Nova. Mais tarde, ganhou o nome de Telêmaco Borba.

Década de 70

Pelo Censo de 1970, a cidade de Tibagi contava com 398 domicílios e mais 500 edificações. Sua população caíra então a 2.073 habitantes, sendo 1.439 no meio urbano e 723 no rural. A área total de Tibagi, que tinha sido de mais de 59 mil km2, nesta década era de 3.799 km2.

Na Educação, a cidade havia ampliado a oferta de vagas e contava com quatro grupos escolares, um na sede, uma escola para menores e cerca de 65 escolas isoladas, além do Ginásio Estadual Irênio Moreira do Nascimento e uma escola Normal no Colégio Estadual Dr. Nereu Ramos.

Década de 80



Na década de 80 a população era estimada em 26,2 mil habitantes. Tibagi era a maior área de lavoura mecanizada nos Campos Gerais e destacava-se como maior produtor dos Campos Gerais em arroz, soja e trigo. A cidade tinha ganhado estádio de futebol, dois clubes sociais, um hospital, três igrejas, uma indústria de madeira, uma fábrica de farinha, dois postos de gasolina, uma agência bancária, duas praças, uma biblioteca, dois entrepostos de Cooperativas Mista e Batavo. Os dados constam do informativo Jornal Batavo, de março de 1980. A área total era 3.673 km2.

Década de 90

O último desmembramento do município aconteceu em 14 de maio de 1990, quando Ventania teve sua emancipação. No ano seguinte, a população de Tibagi era de 22.649 habitantes.

Século XXI

O Censo de 2000 e a recontagem de 2007 apontam que Tibagi tem agora área de 2,9 mil km2 e população de 18.434 habitantes, com estimativa de que o número ultrapasse 19 mil. Por conta da ampla área rural, a densidade demográfica é de 6,58 habitantes por km2.

Até o final de outubro, 27 recenseadores percorrem as 3647 casas do perímetro urbano e 2.150 residências do meio rural, para fazer nova pesquisa. A expectativa é de que nesta contagem, o número de habitantes volte para a casa dos 20 mil.

Histórias de recenseador



Hoje subprocurador Geral do Município, o advogado Alberto Jorge Bittencourt ainda se lembra dos meses que passou batendo de porta em porta no ano de 1980 em Tibagi. Em seu primeiro trabalho, aos 19 anos, a atuação como recenseador do IBGE rendeu várias histórias engraçadas. Ele conta que foi escolhido para recensear o perímetro urbano e que a cada visita uma nova história era relatada. “Naquela época os formulários eram em papel e demorava para responder tudo. O gostoso foi ter contato com todo esse povo. Muitas pessoas eu já conhecia e muitas outras se tornaram minhas conhecidas, até hoje. E tinha aquela coisa de tomar café. Eu tomava muito café por dia”, conta o advogado, aos risos.

A proximidade com as pessoas de Tibagi, a quem ele designa como “povo muito hospitaleiro”, rendem boas narrativas até hoje em seu círculo de amizades. “Éramos em mais ou menos 20 recenseadores e acabamos nos tornando amigos. Tudo a gente transformava em verso e cada história que os colegas contavam, virava uma poesia que a gente cantava”, relata.

As dificuldades também faziam parte da rotina. “Certa vez, ao sair da casa de uma família, um pedaço do teto perto da porta ruiu. Deveria ter um formigueiro lá em cima do forro, porque eu saí cheio de formiga nos ombros”, relembra.

Outra aventura inédita para o então rapaz foi entrevistar as moças que trabalhavam numa casa noturna, perto da cidade. “O supervisor foi junto, porque era uma situação diferente né? O interessante foi descobrir os nomes verdadeiros das mulheres, afinal elas eram conhecidas somente pelos apelidos”, brinca. Segundo ele, a cidade era bem menor e alguns bairros, como a vila São José, ainda não existiam. “Aquela região era área rural”.

“Foi meu primeiro emprego, mas era um bom salário. Comprei uma barraca de camping e uma máquina de cortar gramas. O melhor foi conhecer as histórias das pessoas”, avalia.

Censo

Os censos demográficos são planejados para serem executados nos anos de finais zero, ou seja, a cada dez anos. Desta forma o último censo realizado no Brasil foi no ano 2000, sendo que o próximo é deste ano. No intervalo entre dois censos demográficos, realiza-se a contagem de população. Por questões orçamentárias e financeiras, a contagem planejada para 2005 só foi concretizada em 2007, realizando-se simultaneamente ao Censo Agropecuário.

Texto: Emanoelle Wisnievski
Pesquisa: Neri Aparecido Assunção
Fontes: História de Tibagi; Enciclopédia do Municípios Brasileiros, Álbum do Paraná e Jornal Batavo
Imagens: Christian Camargo