Notícias: Aconteceu! Festa pela colheita se repete desde 1973

on 28/07/2010 - 23:34 4495 reads Há 37 anos era realizada a primeira Festa do Trigo em Tibagi para celebrar o sucesso da colheita. Em suas várias edições, o evento mudou de nome e neste final de semana se realiza como Festa de Ação de Graças pela Colheita pela 11a vez, apresentando o potencial do município que é o maior produtor de trigo do Brasil.



A programação é nos dias 31 de julho e 1o de agosto no Ginásio Quirão. Às 19h30 de sábado (31) acontece a apresentação e eleição da Rainha e Princesas Jovem e Mirim. No domingo, à partir das 15 horas, será a vez das bandas e grupos musicais das igrejas da cidade e região se apresentarem no Festival de Música Gospel. Às 18 horas, culto ecumênico envolvendo todas as igrejas participantes do evento e, em seguida, show com a cantora Mara Lima. Haverá praça de alimentação e o consumo de bebidas alcoólicas é proibido.

As atrações são promovidas pelos agricultores, Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo, Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento e igrejas Católica, Batista Betel Sheikinah, Reformada, O Brasil Para Cristo, Presbiteriana, Quadrangular, Assembleia de Deus e Menonita. Mais informações nos telefones (42) 3916-2151, 3275-1320 e 3275-3478.

Primeira festa

Com uma colheita de 400 mil sacas de cereal, a Prefeitura de Tibagi, em parceria com as cooperativas agrícolas, realizou em 1973 a I Festa do Trigo. Já na primeira edição, houve o baile para apresentação das candidatas ao título de Rainha do Trigo, com animação da Orquestra Cassino de Sevilla.

As atividades também envolviam a religiosidade, com missa em ação de graças na Igreja Matriz. As autoridades e convidados foram recebidos com churrascada oferecida pela Sagril, Serviços Agrícolas Ltda. O evento também era a oportunidade de apresentar à comunidade as tecnologias da época. No período da tarde, o desfile de máquinas e implementos agrícolas pelas ruas da cidade chamava a atenção dos moradores.

O baile para escolha da Rainha do Trigo, no Clube Tibagiano, contou com animação do conjunto Pax Sonora, castrense. A programação teve ainda reunião de engenheiros agrônomos para debates sobre assuntos ligados à agricultura.

O pesquisador Neri Aparecido Assunção indica que a I Festa do Trigo de Tibagi foi organizada por uma comissão presidida pelo Juiz de Direito Vitor Leal e integrada ainda pelo prefeito Nelson Horn, Ogiel Malanowski (secretário), Luiz Cruzetta Júnior (tesoureiro), José Tibagy de Mello e Eugênio Rodrigues Carneiro, conselheiros .

Desfile e Produção



O desfile de máquinas agrícolas era vultuoso. Pelo menos 400 tratores, 30 semeadores e 120 colhedeiras passearam pelas ruas centrais com implementos – mais de 250 tipos diferentes de equipamentos para agricultura. “Foi uma demonstração da evolução da agricultura em Tibagi, que em 1972 produziu safra estimada em 333 mil sacas de arroz, 50 mil sacas de trigo e 136 mil sacas de soja”, comenta Neri, destacando que a área cultivada no município naquela época atingia mais de quatro mil alqueires. “E naquele ano a produção foi prejudicada em toda a região dos Campos Gerais pelas chuvas em excesso e geadas fora de época”, ressalva.

Diante da colheita considerada entre as maiores do Estado, o município continuou recebendo a colaboração e assistência de cooperativas agrícolas que ajudam no desenvolvimento do sistema de armazenamento e comercialização das produções, bem como financiamento à agricultura.

Naquele ano, as vistas dos cooperados da Batavo se voltaram para Tibagi onde eram concluídos potentes graneleiros e armazéns infláveis com capacidade para receber a colheita da soja de 800 toneladas diárias. A colheita já tinha a segurança de enormes armazéns graneleiros em Carambeí, Castrolanda e Arapoti, reforçando-se com o complexo de Tibagi, onde a perspectiva para 1974 era excelente. Reportagens publicadas pelo Estado do Paraná e Folha de Londrina apontava o município como “excecionalmente agrícola, caminhando igualmente para a pecuária, avicultura e suinocultura em nova incursão vitoriosa da gente da Cooperativa Agropecuária Batavo Ltda, adquirente da Fazenda Fortuna”.

O presidente da Batavo naquele período, Willen de Geus, informou à imprensa que “hoje temos a primeira Festa do Trigo de Tibagi e esperamos que esta não seja a única. Esperamos que continue por muitos e muitos anos”. Sua vontade se realizou e ainda hoje o evento acontece.

A Rainha



Neri conta que no coroamento da I Festa do Trigo de Tibagi foi realizado baile para escolha e coroação da Rainha do trigo, que teve as seguintes concorrentes: Adair Alves da Silva, representando o Distrito de Ventania; Eloina da Cruz Machado pelo União Tibagiana de Atletismo (Deusa do Trigo); Adair Alves da Silva, do Distrito de Ventania (loira do Trigal); Sônia Aparecida Soares, representante do Clube Estrela da Manhã; Fátima Aparecida Serenato pelo Clube dos Jovens; Denise Baptista pela firma José Carlos Ribas Baptista; Iole Mariza Bogdanovicz, da Cooperativa Batavo; Marília Molinari Baptista, da Sagril; Iara Taborda Messias pela Cooperativa Mista de Ponta Grossa e Donimary Oliveira, do Clube Tibagiano.

A Comissão julgadora, integrada por convidados especiais, depois de analisar todas as candidatas escolheu como a 1ª Rainha do Trigo de Tibagi Iole Mariza Bogdanovisc da Cooperativa Batavo. A 1ª Princesa foi Eloina da Cruz Machado (União Tibagiana de Atletismo) e 2ª Princesa, Donimary Oliveira, do Clube Tibagiano.

2ª Festa do Trigo



A revista VUP cobriu a segunda Festa do Trigo em 1976. O evento foi destaque da pagina 32 da publicação que está arquivada no Museu Histórico Desembargador Edmundo Mercer Júnior. O texto ressalta o slogan da festa: “Tibagi... Uma cidade vestida de trigo”.

“A produção agrícola é muito grande , sendo o trigo o principal produto, sendo a Festa do Trigo, o maior evento festivo na cidade. Gente vinda de inúmeras cidades, atraídas pela festa e pelos encantos da região, aumentou subitamente a população da cidade. Pecuaristas expositores, numerosos grupos de CTG, triticultores de vários pontos do Estado e turistas numa festiva movimentação, transformaram a vida da pequena cidade, normalmente muito calma”, completava a reportagem.

No primeiro dia de festa, os relatos são de alvorada com muitos fogos e participação da Fanfarra da Escola de Menores de Tibagi. Em seguida, missa campal em Ação de Graças, abertura pelo prefeito Nelson Horn e visitação nos estandes que expunham produtos, máquinas destinadas à agricultura e pecuária.



No período da tarde houve grande desfile de máquinas e aviões agrícolas, apresentação de CTGs, grupo folclórico de Castro e, para terminar o primeiro dia, um baile no Clube Tibagiano para a escolha da Rainha do Trigo de 1976. Foram sete candidatas: Rosane Assmé, do distrito de Ventania; Lenir Gonçalves Ott, do distrito de Alto do Amparo; Maria Aparecida de Souza, da Acarpa; Regina Célia Siqueira Martins, do Clube Estrela da Manhã; Fatima Aparecida Ferreira, da Cooperativa Batavo; Rosângela Farino, da fazenda do Abrigo e Karine Lisiane Bach, da Cooperativa Mista de Ponta Grossa. Foi eleita Rainha Karine Lisiane Bach e princesas Regina Célia Siqueira Martins e Fátima Aparecida Ferreira.



A Comissão organizadora da Festa do Trigo de 1976 teve a presidência de Alberto Verhagem e participação dos membros: Nelson Horn, Ademir Tozetto, José da Cruz Machado, Acelino Felix da Silva, Jauri Teixeira, Marcio Schiochet, João Candido Barbosa, Celia Maria Santos de Camargo, Jorge Alberto Mika, Elzinda Siqueira, Carlos José de Carvalho, Luiz Cruzetta Filho, Antonio Carlos Barros e Irineu Gobbo.

1ª Festa em Ação de Graças



Em 1999 a celebração mudou de nome e aconteceu como 1a Festa em Ação de Graças pela Colheita. Milhares de pessoas acompanharam o evento idealizado como agradecimento às colheitas realizadas no Município, que ainda hoje tem sua principal atividade econômica ligada à agricultura.

Várias ações cívicas, religiosas e recreativas mobilizaram a comunidade. Logo no início da manhã, foram hasteados os pavilhões na praça Leopoldo Mercer e, em seguida, aconteceu o grande desfile. Todo os setores da Administração participaram assim como as escolas do município.

Após o desfile foi celebrado no Horto Florestal um culto ecumênico. A comemoração foi instituída pela Lei 14.644 de 11 de maio de 1999.


Texto: Emanoelle Wisnievski
Pesquisa: Neri Aparecido Assunção
Fontes: Estado do Parana de 11/11/1973, Folha de Londrina de 11/11/1973 e Revista Vup de dezembro de 1976
Imagens: Acervo do Museu Histórico Desembargador Edmundo Mercer Júnior e Christian Camargo