Notícias: Aconteceu! Fundação de Tibagi foi em 28 de junho de 1794

on 24/06/2010 - 17:27 2644 reads Antonio Machado Ribeiro cruzou o Rio Tibagi, tomou uns punhadinhos de terra em suas mãos, jogou para o alto e repetiu três vezes: “Posse! Posse! Posse!”. Foi assim que 'Machadinho' fundou Tibagi no dia 28 de junho de 1794, data confirmada em auto judicial do então Cartório de Paz de Castro.



Nesta segunda-feira a cidade completa 216 anos de existência e quem deseja saber como foi que tudo começou, o Museu Histórico Desembargador Edmundo Mercer Júnior apresenta peças importantes daquele período, como a espingarda de pederneira que pertenceu ao capitão-do-mato Machadinho e um outro auto de petição das terras tibagianas, original de 1838.



O documento solicitava vistoria e avaliação das terras em que são interessados nelas Manoel das Dores Machado, filho de Machadinho, e Manoel Pereira Pinto.

Diretor do Museu, Neri Aparecido Assunção explica que Machadinho era capataz de José Félix da Silva, fazendeiro concessionário de enorme sesmaria ao Norte dos Campos Gerais, no local que ficaria conhecido por Fazenda Fortaleza. “Ele desempenhou papel marcante nas lutas que manteve para abater as hordas de índios caingangues, que sistematicamente atacavam as propriedades, como a do sargento-mor Félix”, conta.



É neste período que a presença do auxiliar do coronel Félix delineia uma nova realidade, até que se chega à criação da Freguesia de Tibagi. Antônio Machado Ribeiro foi o primeiro ocupante com cultura efetiva e moradia habitual em Tibagi. “Ele iniciou uma nova página na história da região”, enfatiza o diretor do Museu.

Fazenda Fortaleza

Os primitivos moradores da atual cidade eram de São Paulo, seu estabelecimento na região foi lento e durou vários anos, até que fosse definitivamente escolhida a localização do povoado. Machadinho deixou as terras paulistas em 1782, acompanhado de sua família, instalando-se na Fazenda da Fortaleza. Tornou-se compadre de José Félix e uma discussão entre os dois acabou colocando Machadinho a caminho da outra margem do rio. Machadinho acusava o compadre de ter retomado dele terras antes cedidas para sua morada no Guartelá.

Posse

Foi então que Machado Ribeiro e sua família tomaram posse das terras compreendidas desde o Rio Pinheiro Seco até a barra do Rio Santa Rosa em 28 de junho de 1794. Um diálogo relatado junto às peças do Museu dá conta de que Machadinho, desta vez, assegurou suas terras diante de ameaça ao compadre. “Como vai o compadre em sua nova fazenda?”, perguntou Félix. “Bem”, diz Machadinho apoiando a destra na sua arma de pederneira, “tenho em verdade sofrido muito. Perdi dois filhos varados pelas flechas dos bugres [índios], mas graças a Deus legalizei minha posse e agora quero te prevenir de uma coisa: se o compadre fizer como da outra vez, sua vida está dentro deste cano”, intimidou, apontando a arma.



Ouvindo seu 'conselho', José Félix não ousou perturbar o sossego do compadre. Machadinho colocou seus escravos para trabalhar na lavoura e, com a descoberta de diamantes no leito do rio, usou os negros para a procura pelas pedras preciosas.

As terras foram herdadas por seu filho Manoel das Dores Machado, que, após a morte do pai, cumprindo desejo da mulher já falecida, Antonia Maria de Jesus, doou mais de 12 mil metros quadrados de terreno à Nossa Senhora dos Remédios, além da casa onde residia seu pai, com o fim de ser nele edificada a capela. A construção de uma igreja no centro mais alto das terras era naquela época um marco de que naquele local havia civilização e iniciava a povoação.

Igreja Matriz

“A obra foi realizada por uma irmã de Manoel das Dores, chamada Ana Beje, que conseguiu na região alguns donativos para a construção, o que deu origem à cidade”, indica Assunção. Ana Beje, que inspira outras tantas lendas e nomeia rua central da cidade hoje, teria recebido o apelido por sair a cavalo percorrendo longas distâncias com uma imagem de Nossa Senhora dos Remédios, pedindo donativos. A cada doação conquistada, a fiel pedia um beijo na imagem. “Béje a santa, dizia Ana”, menciona Assunção.

Freguesia



A Freguesia foi criada pela Lei 15 de 6 de março de 1846. Em 23 de março de 1851 chegava a Tibagi o primeiro Vigário Encomendado, Frei Gaudêncio de Gênova, missionário capuchinho natural da Itália, encarregado pelo Presidente da Câmara de Vereadores do município de Castro a propor limites da nova Freguesia. O Município foi criado pela Lei 302 de 18 de março de 1872, e oficialmente instalado em 10 de janeiro de 1873. Possui atualmente dois Distritos Administrativos: Caetano Mendes e Alto do Amparo, e um Judiciário (Alto do Amparo).

Diversos municípios foram desmembrados do grande Tibagi, como Apucarana, Reserva, Ortigueira, Telêmaco Borba, Ventania e boa parte dos municípios do chamado Norte Novo do Paraná, existindo inclusive, no Museu Histórico da cidade, um mapa do início do Século XX em que o município chega a fazer fronteira com Guarapuava, até os rios Paraná e Paranapanema.


Texto: Emanoelle Wisnievski
Colaboração: Neri Aparecido Assunção
Imagens: Christian Camargo