Notícias: Aconteceu! Craques de Tibagi fazem história em grandes times brasileiros

on 17/06/2010 - 20:36 4546 reads Em Tibagi há pelo menos dois nomes que ficaram gravados na história do futebol brasileiro. Cláudio Ribeiro e Joel Mello foram profissionais dos gramados e defenderam camisas conhecidas como a do Fluminense, no Rio de Janeiro, e do Atlético Paranaense. Documentos, recortes de jornais e revistas estão no arquivo do Museu Histórico Desembargador Edmundo Mercer Júnior em Tibagi, que faz uma merecida homenagem aos craques. Confira alguns detalhes da trajetória dos dois atletas.

Joel Mello



“Futebol na minha vida é tudo. Almoço e janto futebol. Sou atleticano roxo e ainda me emociono mais com o meu Atlético em campo do que com a seleção”, diz Joel Batista de Mello, o centro-avante que, embora tenha nascido em Piramboia, interior de São Paulo, é tibagiano autêntico, como ele mesmo se descreve. “Vim ainda criança com meus pais para cá e hoje, como aposentado, divido morada entre Tibagi, Ponta Grossa e Curitiba, onde tenho apartamento na rua Tibagi”, menciona.



A paixão pela bola fez de Joel um artilheiro reconhecido na região. “Comecei ainda piazão, quando estudava no Regente Feijó em Ponta Grossa e comecei a treinar no juvenil do Operário [Ferroviário Esporte Clube]”, relembra o jogador, hoje aos 74 anos. “Depois, em 1954, fui jogar no Caramuru em Castro. Fiz muitos gols no Estádio Lulo Nunes, do Caramuru. Fomos campeões invictos da Liga Regional em Ponta Grossa naquele ano. Era um time profissional e eu tenho orgulho de dizer que fui o maior artilheiro de todos os tempos do Caramuru. Só naquele campeonato fiz mais de 30 gols”, conta.



Para Joel, as lembranças são acompanhadas de muitos sorrisos. Depois de dois anos defendendo o Caramuru, o artilheiro foi convidado a fazer parte da equipe do Guarani, time de Ponta Grossa que entrava para a primeira divisão do Campeonato Paranaense. “Foi mais ou menos em 1956 e conquistamos o vice-campeonato”, garante.



Em seguida, Joel foi a Curitiba fazer curso para cadete da polícia, profissão que não quis seguir mesmo depois de aspirante. “Eu queria jogar bola e então fui para o Atlético Paranaense”, fala o centro-avante, em tom alto para valorizar o nome do seu time do coração.



Joel atuou como jogador profissional até 1961 e deixou a carreira dos estádios, por conta de problemas nos meniscos, para administrar um cartório em Tibagi. O momento mais marcante? “Pelo Atlético enfrentei o São Paulo. O Mauro da seleção brasileira me marcou naquele jogo, que foi em Ponta Grossa e terminou em zero a zero”, destaca, ressaltando que só não fez um gol porque a marcação foi realmente eficaz. “E teve uma vez que o Guarani foi escolhido para representar a seleção do Paraná em Curitiba contra o Internacional de Porto Alegre, que foi campeão panamericano naquela época. Foram disputas muito importantes”.

Se as duas partidas ficaram registradas na memória, inesquecível mesmo para Joel foi o tempo em que jogou pelo Caramuru, hoje inativo. “Foi meu auge, fiz mais de 40 gols em campeonato. Era um time fortíssimo. Um baita time. Tenho muitas fotos daquela época”.



O centro-avante ainda hoje visita os gramados com chuteiras nos pés. “Bato uma bolinha, mas no veterano”, revela. “O que gosto mesmo é de ir à Baixada em Curitiba e assistir meu Atlético. Sou Cônsul Honorário do Atlético, você sabia?”, provoca o torcedor.

Arquivo



No arquivo do Museu, uma reportagem de Samuel Carneiro, publicada no Jornal de Telêmaco Borba na década de 1990, indica que ainda bastante jovem Joel já mostrava aptidão para o futebol de campo, “estabelecendo com a 'gorduchinha' as mais estreitas relações”. Sobre sua força no Caramuru, o jornalista o destaca como “um grande carrasco para os goleiros das equipes oponentes”.

“Sempre jogando nas linhas de frente, aparecia na área adversária com muita facilidade e fobia de consignar gols. A dosagem perfeita entre a técnica, resistência, malícia e oportunismo transformavam Joel sempre no maior destaque da partida”, descreve a matéria.



Joel também foi destaque em vários outros noticiários. O Estado do Paraná publicou em 6 de agosto de 1978 um retrospecto da sua história com o título “Joel sabia como balançar as redes”. Em 1982, em coluna do jornalista José Canção Ribeiro, no jornal A Notícia, a homenagem foi com a manchete: “Joel um craque fabuloso”. Ribeiro enalteceu a habilidade do jogador descrevendo-o como dono de um “chute violento e certeiro”

Cláudio Ribeiro



Filho de José Ribeiro Pinto e de Alfredina Barbosa Ribeiro, Cláudio Ribeiro nasceu em Tibagi no dia 22 de setembro de 1925. Iniciou suas atividades com a bola ainda adolescente no UTA, União Atlética Tibagiana. Antes mesmo de se alistar e servir ao Exército, jogou no time amador da Klabin, o CAMA de Telêmaco Borba.

Depois da temporada no serviço militar, com maior condicionamento físico, Cláudio integrou a zaga na equipe do União de Ponta Grossa e acabou descoberto pelo Britânia de Curitiba, onde jogou por alguns anos. Finalmente, o atleta ganhou posto oficial no Fluminense do Rio de Janeiro na década de 1940. “Foi um grande homem, um bom pai, trabalhador e para a gente é um orgulho lembrar que meu irmão foi jogador profissional”, diz Maria Eloisa Salete Ribeiro.



Sua história com a bola, segundo Eloisa, ainda reservou outras passagens pelos times Britânia e Água Verde que mais tarde se uniram e formaram o Esporte Clube Pinheiro – hoje Paraná Clube. As lesões que costumam tirar os profissionais das quatro linhas também foram o motivo da separação do zagueiro e o futebol. Ele fraturou o braço em uma partida e parou de jogar profissionalmente. Trabalhou na Klabin, mais tarde no Departamento Nacional de Estradas e Rodovias (DNER) e sua última morada foi em Mafra, Santa Catarina. “Ele gostava muito de futebol e mesmo depois que deixou a carreira, costumava jogar como amador ou promover as partidas lá onde morava”, revela a irmã.

Cláudio morreu em 24 de novembro de 1980. Casado com Uricena Barbosa, deixou três filhos: Neusa Maria, Cleusa Aparecida e Luiz Cláudio.

Museu tem exposição sobre a Copa

O Museu Histórico Desembargador Edmundo Mercer Júnior em Tibagi segue com exposição temporária sobre a Copa do Mundo vista por Tibagi. A mostra reúne peças que já fazem parte do acervo e outros objetos emprestados por moradores. Desde o primeiro televisor usado na cidade para assistir aos jogos até uma camiseta oficial da seleção brasileira autografada pelo jogador Kléberson estão na mostra especial. Para orgulho dos tibagianos, há também uma camiseta do UTA, União Atlético Tibagiana, seleção da cidade, com a seguinte dedicatória: “Aos amigos de Tibagi, com carinho, Edson Pelé”.

A visitação é gratuita e pode ser feita de segunda à sexta-feira, das 8h30 às 11h30 e das 13 horas às 17h30. Aos sábados e domingos, o acervo está à disposição das 8h30 às 11h30 e das 13h30 às 17 horas. A entada é gratuita.


Texto: Emanoelle Wisnievski
Colaboração: Maria Eloisa Salete Ribeiro e Neri Aparecido Assunção
Imagens: Christian Camargo