Notícias: Alunos do Colégio Leopoldina desenvolvem atividades de prevenção

on 16/06/2010 - 20:25 2015 reads O Colégio Estadual Leopoldina de Tibagi apresentará projeto sobre Saúde e Prevenção na Escola (SPE) em um seminário internacional neste mês. O programa de Educação Sexual para adolescentes desenvolvido pelo professor Giovani Andrade foi escolhido para representar a região Sul do Brasil no Seminário Internacional da Educação para Avaliação do Projeto EPT/AIDS (Escola Para Todos), em São Paulo, entre dias 22 e 24.



O próprio professor fará a apresentação da metodologia aplicada em Tibagi para capacitar grupo de adolescentes que se tornam disseminadores de informação no âmbito escolar. “É uma imensa satisfação levar este exemplo a um evento internacional, fazer de Tibagi uma referência neste assunto que é tão importante mas que ainda encontra dificuldades para entrar em sala de aula”, diz Andrade, referindo-se à educação sexual.

Andrade é farmacêutico licenciado em Química Industrial e leciona química para o ensino médio. Faz parte do SPE, programa do governo federal que integra ações de profissionais da educação e da saúde. Foi com alunos de 13 a 16 anos que iniciou o projeto de Educação Sexual para abordar temas como Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), Aids, gravidez na adolescência, reprodução humana e cuidados com o corpo.



Em encontros nas noites de segundas-feiras, o professor repassa ao grupo de jovens os principais conceitos relacionados à prevenção. Em seguida, os alunos é que se tornam professores e, de sala em sala, palestram sobre a importância dos cuidados com a saúde sexual. “Eles são multiplicadores do conhecimento e, sempre que chamados, vão também a outras escolas e entidades. Usam vários recursos, como os objetos para educação sexual e até elaboram peças teatrais e apresentações musicais”, explica. “O projeto é diferenciado porque estimulamos os adolescentes a conversarem entre si. É mais fácil quando um adolescente fala para o outro, rende mais do que quando o professor tenta tratar o assunto na aula”, acredita.

Nos encontros semanais, a sala de atividade fica repleta de objetos que despertam a curiosidade dos estudantes, mas desde o início, preconceitos e mitos ficam do lado de fora, segundo o professor. “Por isso é importante a conversa que temos com todos os pais dos alunos envolvidos no projeto antes de eles ingressarem”, ressalta. São réplicas do corpo humano, dos órgãos reprodutivos, preservativos feminino e masculino, anticoncepcionais e até bonequinhos de pano que mostram como os órgãos sexuais interagem durante uma relação. “Estes bonequinhos foram confeccionados por uma zeladora da escola e fazem bastante sucesso, porque de forma didática elucidam muito bem as dúvidas sobre o ato sexual”, diz Andrade.

Experiência



Bruno de Oliveira Lopes, 17 anos, participa do projeto há dois anos e fala com muita desenvoltura sobre sexo e prevenção. “Muitas vezes os pais não falam com os filhos por vergonha e a gente acaba repassando o que aprende aqui para os colegas. É um assunto que, cedo ou tarde, todo mundo vai ter de abordar”, comenta o adolescente.

Para Bruno, a timidez sai de cena quando se trata o assunto de forma natural. “No começo tinha receio de falar, mas aos poucos a gente se acostuma e no final é até divertido”, revela. Ele conta que seu grupo, hoje com oito integrantes, costuma trabalhar com públicos de diferentes idades e por isso a linguagem é adaptada. “Mesmo com as criancinhas do ensino fundamental é preciso falar sobre reprodução humana, muitos querem saber porque ouviram alguém falar. Aos poucos vamos conseguir mudar algumas coisas e assim ajudamos a construir um mundo melhor”, visualiza.



Suellen Barbosa, de 16 anos, enfatiza que a formação semanal é interessante porque representa a oportunidade de aprender mais sobre o assunto. “É um tema gostoso de trabalhar e agora ver que este trabalho vai representar o Sul do país neste evento é uma vitória, tanto para nós, quanto para o professor. Foi bom ter continuado”, descreve. Ela destaca ainda que todos os alunos envolvidos nas atividades do programa precisam comprovar boas notas, comportamento e frequência escolar. “Quero ver resultados”, reforça o professor.

O programa também tem a participação da professora Josete Gomes e das enfermeiras Natasha Dutchko e Nilceia Agostinho, da Vigilância Epidemiológica. Atualmente, 15 adolescentes integram as ações no Colégio Leopoldina.

Situações curiosas

Nas palestras, os adolescentes colocam uma caixa de perguntas para os alunos escreverem suas dúvidas sem precisar se identificar. “Já tivemos muitas questões curiosas, como se o órgão reprodutivo feminino tem dentes”, diz Bruno, lembrando que conhecer o próprio corpo é muito importante para saber como se prevenir de doenças e planejar a vida familiar.



O professor Andrade lembra de situações críticas, como quando uma criança perguntou se ter relação sexual causa desmaios. “Não entendi bem o que a menininha queria dizer e, investigando melhor, descobri que ela tinha ouvido a mãe e a vizinha comentarem um caso de abuso sexual, em que a mulher havia desmaiado após um estupro”, relembra. “Até para alertar as crianças sobre esse tipo de risco, nossas atividades se tornam importantes”, finaliza.

Resultados

De acordo com Giovani Andrade, pesquisa feita pelo governo estadual mostrou que com as atividades do programa Saúde e Prevenção na Escola (SPE), os resultados já são positivos. “Houve 39% de redução do índice de gravidez na adolescência no Paraná em 2009 em relação a 2008”, aponta.

Seminário é proposta da Internacional da Educação para a América Latina

Com vistas no fortalecimento da educação pública na prevenção de doenças, o Seminário Internacional da Educação para Avaliação do Projeto EPT/AIDS terá a participação de representantes de sindicatos de trabalhadores em educação filiados à Internacional da Educação para a América Latina (IE-AL) e coordenadores do Programa DST-Aids-Brasil desenvolvido pelas afiliadas da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) junto às escolas públicas.



O Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE) é uma das ações do Programa Saúde na Escola (PSE), que tem a finalidade de contribuir para a formação integral dos estudantes da rede pública de educação básica por meio de ações de prevenção, promoção e atenção à saúde.

A proposta do projeto é realizar ações de promoção da saúde sexual e da saúde reprodutiva de adolescentes e jovens, articulando os setores de saúde e de educação. Com isso, espera-se contribuir para a redução da infecção pelo HIV/IST e dos índices de evasão escolar causada pela gravidez na adolescência (ou juvenil), na população de dez a 24 anos.



Esse projeto, alicerçado em uma demanda da população, foi implantado nos 26 estados do Brasil, no Distrito Federal e em aproximadamente 600 municípios. Segundo a Secretária de Relações Internacionais da CNTE, Fátima Silva, o Brasil entrou nesse projeto para mostrar o êxito das políticas públicas desenvolvidas no país para a prevenção.

O Programa DST/AIDS (EPT-AIDS/Brasil) é uma iniciativa da Internacional de Educação (IE) que convidou a CNTE para atuar como parceira diante do aumento dos casos de AIDS entre educadores. O objetivo do programa é conscientizar os trabalhadores em educação para que se previnam da doença, ao mesmo tempo em que possam levar informações à sala de aula para que os alunos se previnam também.


Texto: Emanoelle Wisnievski
Imagens: Christian Camargo