Notícias: Museu abre exposição sobre Copa do Mundo

on 10/06/2010 - 13:56 3544 reads No dia da abertura da Copa do Mundo (10), o Museu Histórico Desembargador Edmundo Mercer Júnior em Tibagi abre uma sala temática para apresentar como os tibagianos assistiram e participaram das várias edições do Mundial de Futebol. A exposição temporária segue até dia 30 de junho e reúne peças que já fazem parte do acervo e outros objetos emprestados por moradores. Desde o primeiro televisor usado na cidade para assistir aos jogos até uma camiseta oficial da seleção brasileira autografada pelo jogador Kléberson estão na mostra especial. Para orgulho dos tibagianos, há também uma camiseta do UTA, União Atlético Tibagiana, seleção da cidade, com a seguinte dedicatória: “Aos amigos de Tibagi, com carinho, Edson Pelé”.



A exposição leva o visitante aos gramados do mundo todo com raridades como álbuns de figurinhas antigos, revistas, pôsteres e réplicas da taça Julis Rimet e do troféu da Copa do Mundo Fifa. Neri Aparecido Assunção, diretor do Museu, explica que muitos objetos ficam em exposição permanente na Sala do Futebol, mas que ele próprio trouxe de casa algumas relíquias pessoais. “É uma homenagem que fazemos às várias seleções que já representaram o Brasil no Mundial, em especial às que trouxeram títulos”, diz Neri, que é apaixonado por futebol. “E quem não é? Mesmo quem não gosta muito de futebol, nesta época acaba envolvido com a torcida”, ressalta. Se Museu é local que fala do passado, nesta mostra a Casa abre as portas pensando no futuro: “para que o Brasil conquiste o Hexa na África”, dedica Neri.

O diretor tentou compilar itens que registram a relação da comunidade em Tibagi com as Copas do Mundo. “Este televisor pertenceu ao professor Aroldo Mercer e na Copa de 1970 todos iam à casa dele para assistir aos jogos. Reunia bastante gente. É um Philips à válvula ainda”, retrata, lembrando que antes das primeiras imagens ao vivo, a população acompanhava a seleção canarinho através do rádio, representando no local por um aparelho também Philips, da década de 1950.

Outros acontecimentos marcantes como o jogo do UTA contra a Seleção de Craques, veteranos da seleção brasileira, que aconteceu em Tibagi na década de 1980, foram resgatados. “Aqui temos a bola que foi doada pelo jogador Edu ao UTA e a foto ao lado do professor Luizão [Luiz Carlos Taques Ribeiro, hoje vereador]”, aponta.



A réplica de chuteira da década de 1950, com sola em madeira e travas feitas de modo artesanal, é um dos artefatos mais preciosos para Neri. “Ganhei de presente de um comerciante que passou pela cidade há muitos anos”, relata. Outro utensílio que chama a atenção é uma toca em tecido que era usada pelos jogadores do UTA, na mesma década, para cabecear a bola. “Era uma espécie de proteção e se chama Bibico”, segundo Neri.

Camisetas autografadas



Quanto às camisetas autografadas pelos jogadores famosos, Neri revela que a dedicatória de Edson Arantes do Nascimento foi feita em 2004. “O então secretário de Esportes do Município, Sandroval Probst, participou de um evento em Curitiba e conseguiu o autógrafo do rei Pelé”.



A camisa amarelo-canarinho assinada por José Kléberson Pereira veio mais tarde, na Copa de 2006. O balconista Ivonildo dos Santos é o feliz proprietário da preciosidade e vai deixá-la emprestada ao Museu durante a exposição. “Ele era jogador do Atlético Paranaense e fez a doação para o Tadeu [Luiz Tadeu Andrade Mercer] aqui de Tibagi. O Tadeu fez uma rifa da camiseta para ajudar um time de futebol de bairro. Comprei um só bilhete por R$ 2 e ganhei o prêmio”, conta Ivonildo – agora torcedor especial do Kléberson nesta Copa.

Preciosidades

Entre as mais de 50 peças que compõem a exposição, Neri Assunção registra a importância de algumas raridades. “Este álbum de figurinhas da seleção de 58 que tem ainda a foto do time do Uruguai na primeira Copa do Mundo, em 1930, quando foi campeã, é precioso”, avalia. A seleção de 1962 também está no acervo, com figurinhas conhecidas e que hoje são disputadas pelos colecionadores, como as de Pelé, Zagalo, Didi e Garrincha.



O álbum de 1970 traz a seleção vencedora, mas a de 1982, embora sem o título, é a que apresenta o grupo mais apreciado pelos torcedores. “Esta foi a seleção dos sonhos, com Zico, Falcão, Sócrates. Mas não ganhou”, lamenta o diretor.

De impressos, a exposição também conta com um gibi do Zé Carioca em edição da Walt Disney especial para a Copa de 1986 e várias revistas especializadas com a camisa da seleção estampando as capas. São edições da Manchete Esportiva de 1950 a 1958, O Cruzeiro, Revista do Esporte de 1968, Realidade, Esporte Ilustrada e Placar. A conquista do Tricampeonato em 1970 tem uma impressão especial da Revista Reis do Futebol pela Edibras e um cartão-postal daquele ano mostra todos os jogadores campeões, como Parreira, Leão, Zagalo, Rivelino, Tostão, Edu e Pelé.

Campanha busca pôster do Cafu

Num local reservado, a réplica da Taça Julis Rimet, feita pelo artista plástico tibagiano Rosney de Oliveira e Silva, divide espaço com pôsteres de quatro dos cinco capitães de seleções brasileiras vitoriosas. “Não encontramos o pôster do Cafu na Copa de 2002, quando conquistamos o Penta. Se alguém tiver alguma revista em casa com a imagem, aceitamos o empréstimo”, pede Neri. Lá estão, erguendo os troféus, Beline em 1958, Mauro em 1962, Carlos Alberto e Zagalo em 1970 e Dunga em 1994. Falta o Cafu. Para contribuir, basta ligar no (42) 3916-2189.

Museu

O Museu Histórico Desembargador Edmundo Mercer Júnior tem mais de 5,6 mil peças e é o segundo maior acervo do Paraná. Há várias salas temáticas, entre elas a Sala do Futebol que faz referência à história dos times do município, em especial ao UTA – União Atlético Tibagiana. Deste local, destacam-se recortes de reportagens sobre dois atletas tibagianos que se tornaram profissionais do esporte. Joel Melo em 1956 entrou para o Atlético Paranaense e Claudio Ribeiro, na mesma década, jogou no Fluminense. “São nossos jogadores mais famosos”, explica Neri Assunção.

O diretor da Casa também ressalta um objeto do arquivo em especial: o álbum de torcedor do professor Aroldo Mercer, que colecionava recortes sobre o Fluminense. A Sala do Futebol agrega troféus, faixas, fâmulas, bolas de capotão e itens que relembram a atividade nos campos da cidade.

O Museu está aberto à visitação de segunda à sexta-feira, das 8h30 às 11h30 e das 13 horas às 17h30. Aos sábados e domingos, o acervo está à disposição das 8h30 às 11h30 e das 13h30 às 17 horas. A entada é gratuita.




Texto: Emanoelle Wisnievski
Imagens: Christian Camargo