Notícias: Primeira Rainha do Carnaval foi eleita em 1931

on 14/02/2014 - 16:16 1259 reads ACONTECEU!
Primeira Rainha do Carnaval foi eleita em 1931



No Brasil, a história do Carnaval inicia ainda no Império, quando em 1855 houve aquele que foi considerado o primeiro desfile de Carnaval: uma comissão de intelectuais formou um bloco e os participantes foram até o Palácio São Cristóvão pedir à Família Real que assistisse ao desfile. O Museu Histórico Desembargador Edmundo Mercer Junior juntamente com a Assessoria de Comunicação da Prefeitura, através da coluna de fatos históricos, Aconteceu!, traz parte desta história tão presente em nosso país e enraizada na cultura tibagiana.




Entre 1907 e 1930, as famílias passaram a usar seus carros para se divertir: homens e mulheres mascarados jogam serpentinas uns nos outros. É nessa época que Chiquinha Gonzaga grava a primeira música especialmente para o Carnaval, a marchinha 'Ô Abre-Alas'.

Em Tibagi, a festa teve início em 1910 quando Manoel da Costa Moreira, o Cadete, organizou carros alegóricos carnavalescos com belas moças da comunidade vestidas com trajes luxuosos representando cada Estado brasileiro. Os carros eram todos enfeitados e puxados por cavalos.



Alguns anos depois, o auge do garimpo entre 1920 e 1935 deu mais alegria ao Carnaval com a chegada dos baianos, animados pela cobiça do diamante do caudaloso Rio Tibagi. Em época de Carnaval, os garimpeiros trocavam as peneiras e as bateias pelos confetes e serpentinas e idealizaram os primeiros blocos carnavalescos.

Em 1930 organizaram um carro alegórico com barco, onde o bloco dos baianos seguia pelas ruas de Tibagi com serpentinas e confetes também em automóveis, ainda conhecidos como 'pés-de-bodes'.



O desfile era em torno da praça 15 de Novembro, atual praça Leopoldo Mercer. Em 1931, novidade na Terra dos Diamantes foi a escolha da primeira Rainha do Carnaval, Albertina Mercer, conhecida como 'Dona Santinha', ao lado das princesas Palmira Nocêra e Tita Pitela. A Rainha e as princesas desfilavam em caminhões e carros enfeitados.

Dona Santinha: a primeira Rainha do Carnaval de Tibagi



Albertina Lagos Martins Mercer, conhecida como dona Santinha, foi a primeira Rainha do Carnaval de Tibagi em 1931. Aos 92 anos, dona Santinha morreu em 8 de julho de 2009, em Curitiba, no Hospital Evangélico. Deixou um legado histórico, espelhando mulher desprendida de coragem, dotada de extrema sensibilidade voltada ao próximo. Ela foi esposa do desembargador Edmundo Mercer Júnior, filha de Ullysses Ayres Martins e Maria Thereza Lagos Martins.



Nasceu em Tibagi em 22 de outubro de 1916. Em 1936 casou com Mercer Júnior e tiveram quatro filhas: Rosemarie, Regina, Margarida e Laura Tereza. Deixou netos, bisnetos e trinetos. Em 1942, mudou-se com a família para Londrina, juntando-se aos desbravadores daquele lugar tão novo, tão cheio de promessas. Dona Santinha participou ativamente naquela comunidade onde trabalhou como voluntária no 'Hospitalzinho da Criança', atuando como enfermeira prática.

Também foi ela quem instituiu o 'Livro de Ouro' para a aquisição de rouparia, afim de que pudesse ser inaugurada a Santa Casa de Misericórdia de Londrina. Mulher ativa e corajosa, já no ano de 1947 tirou sua carta de motorista.

Na década de 1950 mudou-se para Curitiba, atuando como uma verdadeira 'Embaixatriz' de Tibagi, sua terra natal. Lá acolhia as classes sociais, quando iam para capital por motivos de doenças ou mesmo a passeio. Desempenhando a honrosa atribuição de primeira-dama do Colendo Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, atuou ativamente na parte social, promovendo a união de senhoras de desembargadores com esposas de juízes da capital para que pudessem congregar a classe da magistratura paranaense.

Ficou viúva em 1974, fato esse que abalou profundamente sua saúde. Após alguns anos voltou a residir em Tibagi e recomeçou a vida, sempre participativa na comunidade. Fundou e apoiou a maioria das associações assistenciais, como Orfanato Santa Rita - Lar de Nazaré, Terceira Idade, Apostolado da Oração, Pastoral da Criança e outros mais de Tibagi, fazendo trabalhos manuais e colaborando financeiramente com estas entidades.



Entre muitas homenagens que já recebeu ao longo de sua vida de benemerência, foi escolhida para ser Patrona dos formandos do Colégio Irênio Nascimento e coroada como a primeira Rainha do Carnaval de Tibagi.

Em 2005, a câmara de Vereadores de Tibagi concedeu-lhe o Título de Cidadã Benemérita da cidade, sendo entregue oficialmente em cerimônia em 2008.

Aconteceu!

Para valorizar o acervo do Museu e divulgar os acontecimentos que fizeram história em Tibagi, toda semana o diretor Nery Assunção, em parceria com a Assessoria de Comunicação da Prefeitura, desenvolve textos que relatam fatos marcantes na coluna Aconteceu!, no site (www.tibagi.pr.gov.br).

O Museu Histórico oferece trabalhos desenvolvidos em pesquisas e exposições temporárias. Permanece aberto de terça à sexta-feira das 8 horas às 11h30 e das 13 horas às 17h30. Sábados e domingos, a visitação pode ser feita das 9 horas às 11h30 e das 13h30 às 17 horas. Para agendamento, o telefone é (42) 3916-2189. A entrada é franca.



Texto: Nery Assunção e Emanoelle Wisnievski
Pesquisa: Nery Assunção
Fonte: Revista dos Curiosos – Edição nº 12 Editora Europa
Imagens: Christian Camargo