Notícias: Aconteceu! UTA completa 60 anos

on 27/08/2010 - 14:03 2755 reads Em agosto de 1950 nascia oficialmente o União Tibagiana de Atletismo. Sessenta anos depois, a camisa tricolor ainda mexe com a emoção dos torcedores de Tibagi, que agora vibram com a possibilidade do fortalecimento do clube de futebol e a retomada da trajetória de sucesso que as várias gerações de atletas impetraram ao UTA.



Sua história está registrada no Museu Histórico Desembargador Edmundo Mercer Júnior, que guarda troféus, medalhas, uniformes, documentos e reportagens sobre o time. Conforme Neri Aparecido Assunção, diretor do Museu, uma das peças que mais chama a atenção do público é a camiseta azul, vermelha e branca do UTA autografada pelo Rei Pelé, Edson Arantes do Nascimento. Outro objeto, uma flâmula do ano da inauguração do clube, também se mantêm preservada representando a história do time tibagiano.

Nasce um time e um estádio



Um grupo de amigos, entre eles o líder Homero de Mello, Jaime Brás Ribeiro, Trajano, Luiz Cruzeta e Fábio Fanuchi, resolve cercar uma área verde e chamá-la de campo de futebol atrás do Cemitério. Com as tábuas doadas por uma serraria, martelos e pregos em mãos, dão início ao Estádio Municipal, hoje com o nome de Homero de Mello, e ao mais tradicional time de futebol de Tibagi, que resiste às décadas com o apreço da população.



Assim foi fundado o União Atlética Tibagiana – em 28 de dezembro de 1953, reorganizado para disputar as partidas amistosas e campeonatos municipais. A primeira Diretoria do até então UTA definiu com o estatuto de 16 de julho de 1956 as cores da equipe.



O terreno cercado se tornou oficialmente estádio com a Lei Municipal 518, de 12 de janeiro de 1967. Em 1975, a Prefeitura iniciou a construção da entrada com bilheteria e vestiários. A arquibancada foi erguida na década de 1990.

Neri Assunção ainda ressalta que em 24 de março de 1954 o UTA participou da fundação da Liga de Futebol Regional de Monte Alegre, hoje o CAMA.

Mudança de nome

Em 1º de maio de 1979, por exigência da Federação Paranaense de Futebol, o União Tibagiana de Atletismo passa a ser denominado União Atlética Tibagiana (UAT). Somente assim o time poderia disputar uma liga em Castro, sem carregar o termo 'atletismo' no nome. Mas o apelido carinhoso se manteve.

Lembranças



No campeonato de Castro, o time ficou em 3º lugar e este é um dos momentos mais marcantes da trajetória de um jogador que por 14 anos vestiu a camisa do UTA. Eziro José Ferreira Prestes levantou a taça – hoje peça do Museu – e se lembra disso emocionado. “Foi uma das nossas maiores conquistas, porque era a Primeira Divisão do Campeonato Castrense, com dez times. Tenho bastante orgulho de ter participado disso”, diz o bancário aposentado.



Eziro inciou no UTA aos 21 anos em 1975 como ponta direita e só deixou de jogar no time principal em 1989. “Essa era minha posição oficial, mas os técnicos me usavam para preencher qualquer espaço no campo. Cheguei a ser atacante, mas na maioria das vezes eu era o garçom, servia os colegas para o gol”, conta. O gol mais bonito, ou pelo menos mais marcante de sua vida, foi contra o goleiro Bida do Clube Atlético Monte Alegre, o CAMA de Telêmaco Borba. “O Bida saiu para fechar o cruzamento que eu fiz, mas bateu um vento e mudou a trajetória da bola. Ela fez uma curva e entrou no gol. Enganou o goleiro”, recorda.

1976

O técnico na época era Jaime Brás Ribeiro, mas Eziro foi comandado também por Alberto Verhagen, que ficou muitos anos à frente do time. Ninguém era remunerado, mas a dedicação ao time “era por amor à camisa”, como frisa Eziro, dono da de número 7.

Déc. 80

Quando encerrou a carreira foi que o jogador acredita ter vivenciado o maior feito do UTA. “Eu já tinha 34 anos, fizemos um 'catadão' de veteranos e fomos para Telêmaco Borba participar da final do Campeonato Fabril da Klabin. Nos convidaram para fazer a entrega do troféu. Fomos tratados como time profissional. Jogamos contra o Pinheiros, que depois virou o Paraná Clube, e vencemos”, relata. A maior emoção foi quando o time da casa perdia a partida final e a torcida pedia para que o UTA entrasse em campo para substituir o Madeira. “Foi uma farra”.

1987

Outra situação marcante aconteceu em Reserva, num jogo contra o time da cidade. “Teve uma confusão e tivemos de sair corridos do campo. Para sairmos do estádio, um vereador da cidade nos escoltou”, relembra o atleta, hoje rindo da ocorrência.

Déc. 90

A história de Eziro com o time não acaba aí. Ainda hoje ele se reúne com a 'garotada' daquela época para bater uma bolinha. “Há vários jogadores ainda em atividade. Treinamos todos os sábados e temos partidas nos domingos, só de brincadeira. E fazemos um trabalho de inclusão, com as pessoas da comunidade que querem se divertir também”, explica.

2007

Na opinião do atleta, a maior herança dos tempos de UTA é a amizade. “O companheirismo ultrapassa as linhas do campo. No último dia 7 jogamos contra o América Veterano de Ponta Grossa e dia 15 fomos a Mafra [SC] enfrentar os times da cidade e de Rio Negro”.



“Tenho saudade, porque hoje não estou vendo as coisas nem perto de como eram. Minha esperança é de que com a animação da diretoria agora, possamos retomar o vigor que o time já teve”, finaliza Eziro, ressaltando que o último grande momento do time tricolor foi em 2007, quando participou da Taça Paraná.

Revitalização e ampliação

Em 2006, a Prefeitura substituiu a grama do Estádio e reformou a estrutura, mas uma nova obra está iniciando agora. A Administração, com R$ 500 mil do Ministério do Turismo, vai garantir ampliação do Estádio Municipal e sua transformação no Complexo Esportivo Homero de Mello. A edificação prevê revitalização do gramado, da estrutura da arquibancada, dos vestiários e sanitários e ainda implantação de campo sintético para futebol society, pista de bocha, pista de caminhada, quadra poliesportiva, academia da terceira idade e área para recreação, com playground infantil.


Texto: Emanoelle Wisnievski
Pesquisa: Neri Aparecido Assunção
Imagens: Christian Camargo