Notícias: Aconteceu! Festas Juninas foram trazidas pelos baianos

on 02/07/2010 - 19:44 2400 reads Já se foi o tempo em que festa junina acontecia apenas no mês de junho. Os festejos a São João e outros santos comemorados no sexto mês do ano ganharam o gosto popular e se tornaram frequentes também em julho, estendendo a confraternização com barraquinhas de guloseimas, bandeirolas, fogos, quadrilha e brincadeiras. Em Tibagi, neste mês há pelo menos quatro festas agendadas em escolas e associações, mas pouca gente sabe que esta cultura vem da época da chegada dos baianos à cidade. “Eles chegaram ao município na década de 1930 e desde então a festa de São João é comemorada com fogueiras em frente às residências”, indica Neri Aparecido Assunção, diretor do Museu Histórico Desembargador Edmundo Mercer Júnior.

Na Sala de Fotografias do Museu, algumas imagens revelam como aconteciam as celebrações em várias épocas. Neri relata que além das danças típicas, os migrantes da Bahia que vieram a Tibagi no período da exploração de ouro e diamante no rio também acrescentaram ritos religiosos. “Havia uma tradição de se batizar as pessoas no dia de São João, 24 de junho”, relata Elzinda de Jesus Dias Siqueira.

Batizado em São João

A cerimônia do batismo de Elzinda, há mais de 50 anos, seguia rituais típicos com toras de madeira como cenário. Ao lado ficava o afilhado e a madrinha. Os dois colocavam a ponta de uma toalha branca sobre os ombros. “Aí todos cantavam uma música: São João batizou Cristo, Cristo batizou São João. Ambos foram batizados no Rio Jordão”, relembra Elzinda. Em seguida, acendia-se a fogueira e os participantes rezavam ladainhas.

“Dançavam a noite toda”, relata a professora aposentada, ressaltando que as danças de quadrilha foram introduzida na década de 1970 no Clube Estrela da Manhã por Pedro Coelho – que compôs também a marchinha de Carnaval de Tibagi 'Levanta seu véu'. Os sócios do clube se reuniam para compor a quadrilha.

Escolas



Algumas fotos do arquivo mostram as primeiras iniciativas nas escolas, como a do Colégio Irênio Moreira do Nascimento na década de 1980. Conforme a diretora Célia Maria Santos, a dança foi organizada junto da Associação de Pais e Mestres, que tinha na época o Presidente Carlos Epaminondas Pedroso de Oliveira, conhecido como 'seu Ito'.



Em 1987, segundo Neri, foi organizada a festa Comunitária para escolas municipais na praça 18 de Março, com barraquinhas e danças. “Tudo terminava com um bailão na quadra esportiva”, comenta.

Rapidinho, não?

Mais tarde, em 1997, o Colégio Estadual Leopoldina entrou na dança e quis também promover sua festa, mas já não havia data disponível no mês de junho – todas as escolas haviam se agendado antes. “Foi então que tivemos de marcar uma data em julho e inventamos de fazer diferente”, conta Rita Maristela Ribeiro, diretora na época. “A mãe de um aluno sugeriu que fizéssemos um forró, porque ela é de João Pessoa na Paraíba, e então copiamos o modelo dos festejos nordestinos”, lembra. Foi assim que nasceu o Forró da Léo, que neste sábado (3) tem sua 13a edição.



Na época até uma prima desta mãe veio da Paraíba para ensinar como fazer a quadrilha do modo deles. “Foi engraçado porque a quadrilha deles é longa. Nós, professores, pais e alunos, dançamos por mais de uma hora e então ela disse: 'foi rapidinho, não foi?'”, conta Rita, aos risos e reproduzindo o sotaque nordestino. “A gente já tava muito cansado e ela achou rápido”, brinca. “Teve um ano que veio um ônibus deles [da Paraíba] para fazer a quadrilha aqui. Foi bem especial e procuramos manter a tradição ainda hoje”, finaliza.

Origem (www.suapesquisa.com)

Existem duas explicações para o termo 'festa junina'. A primeira de que surgiu em função das festividades ocorrerem durante no mês de junho. Outra versão diz que a festa tem origem em países católicos da Europa e, portanto, seriam em homenagem a São João. No princípio, a festa era chamada de Joanina.



De acordo com historiadores, esta festividade foi trazida para o Brasil pelos portugueses, ainda durante o período colonial (época em que o Brasil foi colonizado e governado por Portugal). Nesta época, havia uma grande influência de elementos culturais portugueses, chineses, espanhóis e franceses. Da França veio a dança marcada, característica típica das danças nobres e que, no Brasil, influenciou muito as típicas quadrilhas. Já a tradição de soltar fogos de artifício veio da China, região de onde teria surgido a manipulação da pólvora para a fabricação de fogos. Da península Ibérica teria vindo a dança de fitas, muito comum em Portugal e na Espanha.

Todos estes elementos culturais foram, com o passar do tempo, misturando-se aos aspectos culturais dos brasileiros (indígenas, afrobrasileiros e imigrantes europeus) nas diversas regiões do país, tomando características particulares em cada uma delas.


Texto: Emanoelle Wisnievski
Pesquisa: Neri Aparecido Assunção com apoio de Elzinda e Célia
Imagens: Acervo do Museu Histórico Desembargador Edmundo Mercer Júnior